{"id":8416,"date":"2025-09-27T14:26:48","date_gmt":"2025-09-27T17:26:48","guid":{"rendered":"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/?p=8416"},"modified":"2025-09-27T14:39:11","modified_gmt":"2025-09-27T17:39:11","slug":"mulheres-na-linha-de-frente-e-as-margens-da-cop30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/2025\/09\/27\/mulheres-na-linha-de-frente-e-as-margens-da-cop30\/","title":{"rendered":"Mulheres na linha de frente e \u00e0s margens da COP30"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Enquanto o mundo se prepara para a confer\u00eancia clim\u00e1tica global, mulheres enfrentam remo\u00e7\u00f5es for\u00e7adas e desafios invis\u00edveis em Bel\u00e9m<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-54433b25bc0cf0ff631b119ef76f6e20\"><strong>_____________<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Cec\u00edlia Amorim<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No bairro da Terra Firme, periferia de Bel\u00e9m (PA), dona Creusa Caetano Silva, 80 anos, criou seis filhos. Ela ajudou a construir o mapa de uma cidade que poucos participantes da COP30 conseguir\u00e3o enxergar, a Bel\u00e9m perif\u00e9rica que surgiu de ocupa\u00e7\u00f5es urbanas espont\u00e2neas. Durante mais de quarenta anos ela morou em uma \u00e1rea alagada na beira do canal do Tucunduba. Sua vida, hoje, \u00e9 administrada entre rem\u00e9dios para press\u00e3o alta, fibromialgia, e a certeza de que n\u00e3o tem mais onde morar.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto milhares de pessoas de todo o mundo se preparam para desembarcar na capital paraense para a Confer\u00eancia do Clima das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013 COP30, mulheres como Creusa revelam o outro lado de sediar um megaevento. H\u00e1 um impacto profundo na vida cotidiana daquelas que sustentam a cidade, quase sempre invisibilizadas pelos holofotes globais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eu perdir a seguran\u00e7a de ter um lar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A casa de Creusa \u00e9 uma\u00a0<strong>entre centenas de im\u00f3veis que est\u00e3o sendo removidos para a execu\u00e7\u00e3o da obra de macrodrenagem da bacia do rio Tucunduba<a href=\"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/3460-2\/\">,<\/a><\/strong>\u00a0uma das interven\u00e7\u00f5es do pacote de \u201clegado da COP30\u201d. As obras, sob responsabilidade do governo do Par\u00e1, est\u00e3o passando por onze canais, entre eles o canal do Tucunduba, onde a idosa vive.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de Creusa \u00e9 um retrato da quest\u00e3o habitacional belenense. Ela chegou ao bairro com seus filhos ainda crian\u00e7as. Com o trabalho de feirante, ela conseguiu construir uma casa de madeira, ali criou seus filhos e os viu construir suas fam\u00edlias e seus pr\u00f3prios lares. \u201cEu lutei muito para ter a minha casa. Foram anos de dificuldade para garantir um peda\u00e7o de ch\u00e3o\u201d, lamenta.&nbsp;&nbsp; \u2013<\/p>\n\n\n\n<p>A casa que foi testemunha da hist\u00f3ria de sua fam\u00edlia, com o tempo foi se desgastando. Pensando em uma velhice com mais conforto, dona Creusa decidiu fazer uma reforma. Foi quando ela tomou conhecimento da obra p\u00fablica planejada para a \u00e1rea e foi desaconselhada pela Defensoria P\u00fablica a continuar com a reforma. H\u00e1 alguns meses, dona Creusa foi notificada que sua casa seria removida. Como n\u00e3o poderia reformar e melhorar as condi\u00e7\u00f5es de viver ali, ela decidiu ir morar na casa de uma filha at\u00e9 sair a indeniza\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O valor estipulado pela Secretaria Estadual de Obras P\u00fablicas (Seop) foi de R$27 mil, valor que ela afirma ser insuficiente para a compra de outro im\u00f3vel. An\u00fancios de venda mostram que um terreno em bairros perif\u00e9ricos mais pr\u00f3ximos do centro de Bel\u00e9m, como \u00e9 o caso da Terra Firme, varia entre R$50 e R$100 mil, nos bairros mais afastados pode ser encontrado a partir de R$20 mil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O sonho da casa pr\u00f3pria se desfazendo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje eu moro agregada. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa, n\u00e9? Quando a casa \u00e9 nossa, \u00e9 diferente\u201d, diz Creusa, que ainda sonha com a casa pr\u00f3pria. E completa: \u201cCom esse valor eu posso comprar um terreno longe, mas na minha idade s\u00f3 quero ficar perto das minhas filhas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A fala de dona Creusa mistura gratid\u00e3o \u00e0s filhas, que a acolhem, com a dor de n\u00e3o ter conquistado a seguran\u00e7a de uma moradia pr\u00f3pria e digna. \u201cO que eu queria era s\u00f3 um cantinho. Um quartinho para a velhinha aqui ficar tranquila. Isso \u00e9 o direito da gente, mas n\u00e3o querem dar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de Creusa \u00e9 a prova de que na produ\u00e7\u00e3o de megaeventos como a COP, at\u00e9 projetos que supostamente beneficiam a periferia acabam aumentando a vulnerabilidade dessas popula\u00e7\u00f5es. Segundo levantamento da\u00a0<strong>InfoAmaz\u00f4nia<\/strong>, cerca de 500 resid\u00eancias ser\u00e3o removidas somente nas obras da macrodrenagem do Tucunduba.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em nota, a Seop afirmou que as obras nos canais do projeto de macrodrenagem da Bacia do Tucunduba beneficiar\u00e3o cerca de 300 mil pessoas em Bel\u00e9m. A pasta confirmou a remo\u00e7\u00e3o de casas constru\u00eddas irregularmente em locais inadequados, mas n\u00e3o respondeu o n\u00famero de im\u00f3veis e\/ou pessoas atingidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo a secretaria, os propriet\u00e1rios ser\u00e3o compensados pelo Estado conforme determina a legisla\u00e7\u00e3o brasileira e que os valores das indeniza\u00e7\u00f5es s\u00e3o definidos a partir da avalia\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel, com base nas determina\u00e7\u00f5es da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Normas T\u00e9cnicas (ABNT).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dificuldades no direito de \u2018ir e vir\u2019<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o em melhorar a mobilidade durante a COP30 contrasta com o caos vivenciado nesta fase de prepara\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m para receber o evento. A motorista de aplicativo Gleice Gon\u00e7alves Le\u00e3o, de 54 anos, observa que as obras em andamento tornaram seu trabalho mais dif\u00edcil e menos lucrativo. \u201cO tr\u00e2nsito da cidade j\u00e1 \u00e9 ruim, com esse tanto de obra ficou 10 vezes pior.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia de Gleice \u00e9 se refugiar em Ananindeua, munic\u00edpio na regi\u00e3o metropolitana, fugindo do centro entupido de Bel\u00e9m. \u201cA gente perde viagem n\u00e9, demora mais tempo em uma corrida e demora a pegar outra, a\u00ed a gente ganha menos dinheiro.\u201d Sua esperan\u00e7a, como a de muitos, \u00e9 que o evento compense as perdas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, quem usa os aplicativos de transporte, como Morgana Valadares, de 35 anos, est\u00e1 preocupada com o impacto da COP no aumento das tarifas das corridas. A manicure e maquiadora trabalha com atendimento a domic\u00edlio e todos os dias se desloca por aplicativos para diversos pontos de Bel\u00e9m e Ananindeua.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento dos pre\u00e7os das viagens por aplicativo durante a confer\u00eancia pode desequilibrar a economia dom\u00e9stica. M\u00e3e de tr\u00eas filhos, o material de trabalho de Morgana cabe em uma mala, e seu escrit\u00f3rio \u00e9 a cidade. O transporte por aplicativo \u00e9 essencial para otimizar o tempo e atender mais clientes. Se os pre\u00e7os das corridas dispararem, sua \u00fanica sa\u00edda ser\u00e1 o transporte p\u00fablico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVai demorar muito para ir de um lugar para outro de \u00f4nibus, ent\u00e3o vai diminuir minha renda porque vou atender menos clientes.\u201d O cansa\u00e7o ser\u00e1 maior carregando mala e mochila nos \u00f4nibus, e o dilema se imp\u00f5e: repassar o custo para o cliente e arriscar perd\u00ea-lo, ou absorver o preju\u00edzo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O calend\u00e1rio que virou de ponta-cabe\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outro impacto que est\u00e1 sendo sentido e voltar\u00e1 no p\u00f3s COP \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao calend\u00e1rio escolar. O governo do estado decretou a divis\u00e3o das f\u00e9rias escolares na rede p\u00fablica e privada de Bel\u00e9m, Ananindeua e Marituba. As f\u00e9rias foram divididas em 15 dias em julho e 15 dias em novembro, com o objetivo de melhorar a mobilidade urbana reduzindo o tr\u00e2nsito nas vias da cidade durante a COP, que acontece de 10 a 21 de novembro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Esther Bezerra, 28 anos, pedagoga em uma escola particular, a mudan\u00e7a afetou profundamente o ritmo das crian\u00e7as da educa\u00e7\u00e3o infantil. \u201cElas ainda n\u00e3o haviam descansado o suficiente, mentalmente foi muito mais dif\u00edcil readapt\u00e1-las\u201d, conta. O fen\u00f4meno da evas\u00e3o tempor\u00e1ria tamb\u00e9m apareceu, com crian\u00e7as que retornaram \u00e0s aulas apenas em agosto. Ela j\u00e1 espera o mesmo ap\u00f3s a COP30, indicando um prolongamento do preju\u00edzo educacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu n\u00e3o tinha pensado nesse detalhe\u2026 tr\u00eas filhos em casa, 24 horas. Vai ser um desafio dentro do desafio\u201d, desabafa a manicure Morgana Valadares que ter\u00e1 de adaptar a sua rotina de trabalho durante essas f\u00e9rias escolares fora de \u00e9poca. O mesmo deve acontecer com as fam\u00edlias de 174.549 mil estudantes da creche, educa\u00e7\u00e3o infantil, ensino m\u00e9dio e educa\u00e7\u00e3o especial que est\u00e3o matriculados em Bel\u00e9m, segundo o Censo Escolar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exclus\u00e3o: as barreiras para participar do evento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto mulheres como Morgana, Gleice e Esther veem a COP impactar seu cotidiano de trabalho e cuidado, outra barreira, mais dif\u00edcil de transpor, se ergue: a de participar ativamente do evento.<\/p>\n\n\n\n<p>A alta nos pre\u00e7os de hospedagem \u2013&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.terra.com.br\/planeta\/meio-ambiente\/diaria-de-hotel-em-belem-aumenta-8-vezes-para-cop30-e-obvio-que-e-a-famosa-lei-da-oferta-e-da-procura,9f7edf06665255d6555928ba87702da5cippg7hi.html\">com di\u00e1rias em hot\u00e9is at\u00e9 8 vezes mais altos que na baixa temporada<\/a><\/strong>&nbsp;\u2013 e a complexa burocracia para credenciamento t\u00eam criado dificuldades para a participa\u00e7\u00e3o no evento. O que exclui justamente as vozes que deveriam ser centrais em uma confer\u00eancia clim\u00e1tica na Amaz\u00f4nia: mulheres ind\u00edgenas, quilombolas, lideran\u00e7as comunit\u00e1rias, integrantes de movimentos feministas interseccionais e jornalistas independentes de ve\u00edculos locais e regionais.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o da log\u00edstica em Bel\u00e9m tem gerado in\u00fameras reportagens, especula\u00e7\u00f5es e revolta nos \u00faltimos meses. Entre fevereiro e agosto, o governo estadual anunciou uma redu\u00e7\u00e3o de 22% nos pre\u00e7os m\u00e9dios dos alugu\u00e9is na capital, mas na pr\u00e1tica parece diferente. Moradores relatam que contratos de aluguel n\u00e3o est\u00e3o sendo renovados para este ano, o que deixa os im\u00f3veis livres para serem anunciados por valores superfaturados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Caso apare\u00e7a algu\u00e9m disposto a pagar os novos pre\u00e7os, os inquilinos s\u00e3o pressionados a deixar rapidamente o im\u00f3vel, abrindo espa\u00e7o para que ele seja destinado a participantes da COP30.&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/almapreta.com.br\/sessao\/cotidiano\/tive-que-buscar-outro-lugar-para-morar-diz-vereadora-de-belem-vitima-da-especulacao-imobiliaria-da-cop30\/\">Recentemente, a vereadora Vivi Reis (PSOL) denunciou em suas redes sociais ter enfrentado essa situa\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong>. Para n\u00e3o ter que sair \u00e0s v\u00e9speras da confer\u00eancia, ela preferiu sair logo, por\u00e9m denunciou a alta dos pre\u00e7os dos im\u00f3veis para a popula\u00e7\u00e3o local.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Coletivos e organiza\u00e7\u00f5es relatam dificuldades em garantir hospedagem acess\u00edvel para delega\u00e7\u00f5es de mulheres de outros estados e pa\u00edses. A falta de transpar\u00eancia no processo de credenciamento para a sociedade civil e a lentid\u00e3o na concess\u00e3o de vistos para participantes s\u00e3o cr\u00edticas antigas em COPs, que se repetem em Bel\u00e9m. Outro fator excludente \u00e9 que o \u00fanico documento de identifica\u00e7\u00e3o aceito para credenciamento \u00e9 o passaporte, at\u00e9 mesmo para quem \u00e9 do pa\u00eds sede. Isto ocorre porque a COP \u00e9 considerada um espa\u00e7o internacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mulheres ind\u00edgenas enfrentam barreiras para participar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia, grupo fundamental para qualquer solu\u00e7\u00e3o efetiva num evento como a COP, enfrentam uma batalha para ter o direito de chegar a Bel\u00e9m. Apesar de serem reconhecidas como guardi\u00e3s da floresta e detentoras de saberes ancestrais cruciais para a mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a participa\u00e7\u00e3o delas em espa\u00e7os de decis\u00e3o como a Confer\u00eancia do Clima da ONU ainda \u00e9 marcada pela invisibilidade e por barreiras sistem\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/umiabamazonia?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;igsh=ZDNlZDc0MzIxNw%3D%3D\">Uni\u00e3o das Mulheres Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira (UMIAB)<\/a><\/strong>, est\u00e1 se articulando diariamente para mudar esse cen\u00e1rio. Representando 64 etnias em nove estados, a entidade luta para que pelo menos nove mulheres ind\u00edgenas consigam participar do evento. \u201cParece pouco, mas, diante das dificuldades, j\u00e1 \u00e9 uma conquista\u201d, afirma Marinete Tucano, coordenadora da UMIAB.<\/p>\n\n\n\n<p>exig\u00eancia de passaporte, um documento que a maioria das mulheres ind\u00edgenas que vive em comunidades tradicionais n\u00e3o possui, \u00e9 outro problema. Somam-se a isso os custos de deslocamento de regi\u00f5es remotas, muitas vezes dependentes de viagens de dias de barco e voos car\u00edssimos at\u00e9 a capital paraense.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 tamb\u00e9m a quest\u00e3o de que a maioria \u00e9 m\u00e3e de crian\u00e7as pequenas, o que torna tudo ainda mais complicado. Quando eles s\u00e3o beb\u00eas levamos conosco, mas conforme eles crescem fica invi\u00e1vel, at\u00e9 financeiramente\u201d, acrescenta Marinete. Fato que evidencia como a divis\u00e3o sexual do trabalho e os cuidados familiares recaem sobre as mulheres, limitando ainda mais sua mobilidade e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa delas vai muito al\u00e9m de simplesmente preencher uma cota de diversidade. \u201cQueremos mostrar como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nos atingem de forma desigual, especialmente nas aldeias e nas periferias urbanas\u201d, diz a coordenadora. Elas buscam levar suas demandas concretas, garantir que as cartas e declara\u00e7\u00f5es elaboradas com base em seu conhecimento tradicional e suas realidades sejam de fato lidas e consideradas nas negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQue nos ou\u00e7am. Que entendam que sem a voz das mulheres ind\u00edgenas n\u00e3o h\u00e1 debate verdadeiro sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, defende Marinete Tucano. Ela refor\u00e7a o papel central que essas mulheres ocupam como agentes de resist\u00eancia e solu\u00e7\u00e3o. \u201cSempre repetimos: a resposta somos n\u00f3s, mulheres ind\u00edgenas. Somos n\u00f3s que sentimos no corpo e no territ\u00f3rio os impactos. Somos n\u00f3s que buscamos solu\u00e7\u00f5es no dia a dia\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A COP30 chega a Bel\u00e9m com a promessa de desenvolvimento e aten\u00e7\u00e3o mundial na Amaz\u00f4nia, mas a hist\u00f3ria dessas mulheres, e muitas outras, alerta que n\u00e3o pode haver justi\u00e7a clim\u00e1tica global sem justi\u00e7a social local. O legado da confer\u00eancia n\u00e3o pode ser medido apenas pelas metas de carbono estabelecidas, mas sobretudo pela capacidade de ouvir e incluir essas vozes. \u00c9 fundamental garantir que a cidade sede do debate sobre o futuro do planeta seja um lugar digno para todas as mulheres que nela vivem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-010fe7f6db8124d5bd4cf9a0f3fdf150\"><strong>___________<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>_________________________________&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Reportagem produzida em parceria com a&nbsp;<a href=\"https:\/\/azmina.com.br\/\">revista Azmina.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-0ccd2a35e0e917c1e2e4adf71af240b1\"><strong>__________<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-ab50441f3bea4704a75dc353c6254a2a\"><em>Fique por dentro das \u00faltimas not\u00edcias da ag\u00eancia Carta Amaz\u00f4nia.<\/em><strong><em>&nbsp;Participe do nosso&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.whatsapp.com\/channel\/0029Vajcelz8qIzmGGHSAR3L?fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAAad4zptZku8bM5RvuzeBp5bKxAsCx5uZxJVMMo9AiU6uH1-8OeuHZas9k_jRHA_aem_LQtSLHIyPsx2yDrrXsDD_w\">canal no WhatsApp&nbsp;<\/a><\/em><\/strong><em>e receba conte\u00fados exclusivos direto no seu celular.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto o mundo se prepara para a confer\u00eancia clim\u00e1tica global, mulheres enfrentam remo\u00e7\u00f5es for\u00e7adas e desafios invis\u00edveis em Bel\u00e9m _____________ Por Cec\u00edlia Amorim No bairro da Terra Firme, periferia de Bel\u00e9m (PA), dona Creusa Caetano Silva, 80 anos, criou seis filhos. 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