{"id":8426,"date":"2025-09-27T14:49:14","date_gmt":"2025-09-27T17:49:14","guid":{"rendered":"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/?p=8426"},"modified":"2025-09-27T14:52:20","modified_gmt":"2025-09-27T17:52:20","slug":"mulheres-da-amazonia-cobram-espaco-nas-negociacoes-da-cop30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/2025\/09\/27\/mulheres-da-amazonia-cobram-espaco-nas-negociacoes-da-cop30\/","title":{"rendered":"Mulheres da Amaz\u00f4nia cobram espa\u00e7o nas negocia\u00e7\u00f5es da COP30"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Ind\u00edgenas, quilombolas e perif\u00e9ricas apontam falta de lideran\u00e7as femininas e locais; COP s\u00f3 teve 5 presidentes mulheres<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-c645e628e62f8fbab9d9726851472d16\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Cec\u00edlia Amorim<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-010fe7f6db8124d5bd4cf9a0f3fdf150\"><strong>___________<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A COP30 est\u00e1 chegando. Bel\u00e9m tem se preparado para a Confer\u00eancia do Clima com obras que mudam a paisagem urbana e discursos que ecoam compromissos globais contra a crise clim\u00e1tica. O espa\u00e7o ser\u00e1 palco de grandes negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, que visam estabelecer metas de redu\u00e7\u00e3o de carbono e planos para frear o aquecimento global do planeta. Enquanto isso, mulheres ind\u00edgenas, quilombolas e perif\u00e9ricas travam uma batalha dupla: contra a crise clim\u00e1tica, que j\u00e1 afeta seus cotidianos, e pela inclus\u00e3o genu\u00edna em espa\u00e7os de poder que historicamente as silenciaram.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de serem as mais impactadas pela crise do clima e estarem na linha de frente das a\u00e7\u00f5es de cuidado com o territ\u00f3rio, as mulheres ainda s\u00e3o minoria nos espa\u00e7os de decis\u00e3o globais. Dados do Painel de G\u00eanero da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (UNFCCC) mostram que a presen\u00e7a feminina nas delega\u00e7\u00f5es nacionais nas Confer\u00eancias do Clima segue desigual: em m\u00e9dia, apenas 30% a 35% dos representantes s\u00e3o mulheres. O avan\u00e7o rumo \u00e0 paridade de g\u00eanero tem sido lento. Entre 2008 e 2019, o n\u00famero de mulheres como chefes de delega\u00e7\u00e3o subiu de 12% para 27%. J\u00e1 em 2022, na COP27, esse percentual chegou a 34% \u2013 um crescimento, mas ainda distante do equil\u00edbrio.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa desigualdade tamb\u00e9m se reflete nas posi\u00e7\u00f5es de maior lideran\u00e7a. Em 28 edi\u00e7\u00f5es das COPs, apenas cinco mulheres chegaram \u00e0 presid\u00eancia do evento. Enquanto pa\u00edses n\u00f3rdicos e da Uni\u00e3o Europeia apresentam delega\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3ximas da paridade, outras na\u00e7\u00f5es ainda mant\u00eam uma participa\u00e7\u00e3o majoritariamente masculina. O contraste mostra como a representatividade das mulheres nos processos de decis\u00e3o clim\u00e1tica ainda \u00e9 um desafio, mesmo sendo elas as que carregam de forma desproporcional os impactos da crise ambiental em suas comunidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o elas que, vivendo nas aldeias, nos quilombos, nas beiras dos rios e nas periferias urbanas, sentem primeiro \u2013 e mais duramente \u2013 os impactos da crise clim\u00e1tica: calor extremo, chuvas destrutivas, amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a alimentar. Elas chegam \u00e0 confer\u00eancia n\u00e3o como simples espectadoras, mas como portadoras de saberes ancestrais e solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, desafiando um sistema machista. Sua luta revela o paradoxo central deste encontro global: como discutir o futuro da Amaz\u00f4nia sem ouvir aquelas que sempre a mantiveram de p\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-light-green-cyan-background-color has-background\"><strong>E a COP com isso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-light-green-cyan-background-color has-background\">Apesar de estudos apontarem que mulheres est\u00e3o entre os grupos mais afetados pelas crises clim\u00e1ticas, elas s\u00e3o a minoria das chefes de delega\u00e7\u00e3o envolvidas nas negocia\u00e7\u00f5es da COP. Mulheres presidiram o evento apenas 5 vezes.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marinette Tucano defende ecofeminismo, ancestralidade e resist\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em Bel\u00e9m, a contagem regressiva para a COP30 j\u00e1 trouxe mudan\u00e7as na rotina da cidade que se tornou um canteiro de obras. Mas, por tr\u00e1s das grandes negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e das metas globais, est\u00e3o as vozes das mulheres da Amaz\u00f4nia que carregam a urg\u00eancia de serem ouvidas nas decis\u00f5es que impactam suas vidas. Entre elas, Marinete Tukano, lideran\u00e7a ind\u00edgena, coordenadora da&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/umiabamazonia\/\">Uni\u00e3o das Mulheres Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia<\/a><\/strong>&nbsp;Brasileira (UMIAB), coloca em palavras o que significa ser mulher e amaz\u00f4nida em um tempo de colapso clim\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s, mulheres, carregamos no corpo o territ\u00f3rio. Nossa luta \u00e9 pela vida, pela floresta e pela nossa exist\u00eancia enquanto povos\u201d, resume Tukano. Para ela, a ideia que conecta a natureza \u00e0 figura feminina vai al\u00e9m da met\u00e1fora: est\u00e1 na pr\u00e1tica de cultivar a ro\u00e7a, pescar, proteger o rio, gerar e cuidar da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a lideran\u00e7a ind\u00edgena, a COP \u00e9 um espa\u00e7o de visibilidade, mas tamb\u00e9m de exclus\u00e3o. Ela recorda as barreiras que as mulheres ind\u00edgenas enfrentam para participar: passaportes caros e burocr\u00e1ticos, dificuldades de credenciamento, o peso financeiro das longas viagens e a falta de estrutura para m\u00e3es que precisam deixar seus filhos aos cuidados de terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando a gente consegue chegar nesses espa\u00e7os, j\u00e1 foi uma batalha imensa. Muitas desistem porque n\u00e3o t\u00eam como bancar essa log\u00edstica. E isso limita quem pode falar em nome da Amaz\u00f4nia\u201d, explica. A organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 se preparando para levar nove mulheres a Bel\u00e9m. Os altos custos de deslocamento na Amaz\u00f4nia s\u00e3o um dos principais gargalos para uma participa\u00e7\u00e3o maior no evento.<\/p>\n\n\n\n<p>A UMIAB, que coordena mulheres de diferentes povos amaz\u00f4nicos, vem se organizando para garantir que as ind\u00edgenas estejam na COP30. Para Tukano, a presen\u00e7a feminina \u00e9 vital, porque as mulheres s\u00e3o as primeiras a sentir os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em suas comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>A lideran\u00e7a explica que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o mais uma ideia distante, s\u00e3o vividas no dia a dia,&nbsp;nos rios que est\u00e3o secando, nos peixes que est\u00e3o diminuindo, na agricultura que sofre com estiagens ou enchentes extremas. \u201cA seguran\u00e7a alimentar das comunidades est\u00e1 em risco. O que antes era fartura, hoje \u00e9 incerteza. Isso causa adoecimento f\u00edsico e tamb\u00e9m mental\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres, que tradicionalmente s\u00e3o respons\u00e1veis pela alimenta\u00e7\u00e3o e pela sa\u00fade das fam\u00edlias, sentem primeiro as consequ\u00eancias. Muitas recorrem \u00e0 venda de artesanato nas cidades como estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia, mas enfrentam racismo, falta de pol\u00edticas p\u00fablicas e invisibilidade. \u201cH\u00e1 mulheres ind\u00edgenas morando nas periferias de Bel\u00e9m que s\u00e3o esquecidas. Elas existem, resistem e tamb\u00e9m s\u00e3o Amaz\u00f4nia\u201d, afirma a l\u00edder ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos pontos que a lideran\u00e7a pontua \u00e9 sobre a pluralidade amaz\u00f4nica. \u201cA Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 floresta. \u00c9 rio, mar, cidade, periferia, quilombo, aldeias. \u00c9 afrodescendente e tamb\u00e9m ind\u00edgena\u201d, pontua. Essa vis\u00e3o amplia o debate sobre clima, mostrando que o territ\u00f3rio amaz\u00f4nico \u00e9 feito de diversidade de modos de vida, todos amea\u00e7ados pela crise ambiental e pelo avan\u00e7o de projetos extrativistas. Por isso, os debates precisam considerar essa pluralidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A prepara\u00e7\u00e3o para a COP30, que reunir\u00e1 milhares de pessoas em Bel\u00e9m, exp\u00f5e tanto os contrastes urbanos quanto os desafios de quem vem das comunidades. Para Marinette, a confer\u00eancia s\u00f3 ter\u00e1 sentido se abrir espa\u00e7o real para essas vozes: \u201cN\u00e3o basta usar a Amaz\u00f4nia como vitrine. \u00c9 preciso escutar quem vive aqui, principalmente as mulheres, que j\u00e1 est\u00e3o na linha de frente da crise clim\u00e1tica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cN\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a clim\u00e1tica sem as mulheres quilombolas\u201d: protagonismo ancestral na COP30<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Carlene-Pristes-Foto_-Bruna-Araujo-1024x681-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8428\" style=\"width:780px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Carlene-Pristes-Foto_-Bruna-Araujo-1024x681-1.jpg 1024w, https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Carlene-Pristes-Foto_-Bruna-Araujo-1024x681-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Carlene-Pristes-Foto_-Bruna-Araujo-1024x681-1-768x511.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Carlene Pristes, coordenadora de diversidade de g\u00eanero da Malungu (Foto: Bruna Ara\u00fajo)<br><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o mundo discute metas e acordos para frear a emerg\u00eancia clim\u00e1tica, um grupo de mulheres quilombolas de diferentes regi\u00f5es do Par\u00e1 se articula para que suas vozes, corpos e viv\u00eancias estejam presentes na trig\u00e9sima Confer\u00eancia do Clima. A participa\u00e7\u00e3o das mulheres na COP30 est\u00e1 sendo organizada em parceria com diversos movimentos sociais, com o objetivo de levar para um espa\u00e7o de discuss\u00e3o global o conhecimento ancestral de quem vive e protege a floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia passa pela cria\u00e7\u00e3o de um estande coletivo, que funcionar\u00e1 como um ponto de converg\u00eancia e di\u00e1logo. Nesse espa\u00e7o, elas realizar\u00e3o sess\u00f5es colaborativas sobre g\u00eanero, direitos das mulheres, participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, social e econ\u00f4mica, sempre entrela\u00e7ando esses temas com as pautas espec\u00edficas dos povos quilombolas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO objetivo \u00e9 garantir visibilidade e fortalecer a voz das mulheres quilombolas, colocando nossas experi\u00eancias e lutas no centro das discuss\u00f5es sobre justi\u00e7a clim\u00e1tica e direitos humanos\u201d, explica Carlene Pristes, coordenadora de g\u00eanero da&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/malungupara\/\">Malungu, Coordena\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es Quilombolas do Par\u00e1<\/a><\/strong>, organiza\u00e7\u00e3o que representa e defende os direitos de mais de 600 comunidades no estado.<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa n\u00e3o \u00e9 simb\u00f3lica; \u00e9 estrat\u00e9gica. Para Pristes, a presen\u00e7a dessas mulheres em espa\u00e7os de decis\u00e3o clim\u00e1tica \u00e9 fundamental, pois elas s\u00e3o detentoras de solu\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas ancestrais para enfrentar a crise.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSomos diretamente impactadas pela crise clim\u00e1tica, mas, ao mesmo tempo, somos guardi\u00e3s de pr\u00e1ticas ancestrais de cuidado com o territ\u00f3rio e com a vida do nosso povo. Nossos quilombos vivem na Amaz\u00f4nia, cuidam da floresta, dos rios e da terra, e as mulheres t\u00eam um papel central nesse processo, tanto no trabalho coletivo quanto na preserva\u00e7\u00e3o dos saberes\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A articula\u00e7\u00e3o pretende levar uma comitiva de cem mulheres quilombolas \u00e0 COP30. O corpo dessas mulheres carrega a mensagem pol\u00edtica de que a luta pela preserva\u00e7\u00e3o do planeta \u00e9 indissoci\u00e1vel da luta por justi\u00e7a social, direitos humanos e igualdade de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando as mulheres quilombolas ocupam esses espa\u00e7os, n\u00e3o estamos falando s\u00f3 da defesa do meio ambiente, mas tamb\u00e9m de justi\u00e7a social, de direitos humanos e de reconhecimento do nosso protagonismo pol\u00edtico\u201d, ressalta Pristes. \u201cEstar na COP significa dizer que a luta contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas precisa considerar as vozes de quem est\u00e1 na linha de frente, de quem sente os efeitos no cotidiano, e tem&nbsp;propostas reais para cuidar da terra de forma sustent\u00e1vel e justa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cQuem conhece a Amaz\u00f4nia somos n\u00f3s\u201d: vozes perif\u00e9ricas alertam para exclus\u00e3o na COP30<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o calor se intensifica e as chuvas castigam a cidade com mais for\u00e7a, nas \u00e1reas urbanas, s\u00e3o as mulheres das periferias que primeiro sentem na pele os efeitos da crise clim\u00e1tica. \u201cA impress\u00e3o que a gente tem \u00e9 que o nosso inverno foi mais curto esse ano. \u00c9 uma quentura que a gente sente o tempo todo\u201d, relata Fl\u00e1via Ribeiro, jornalista, pesquisadora, ativista feminista negra uma das vozes que emerge das quebradas amaz\u00f4nicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a chuva vem, n\u00e3o traz al\u00edvio, mas destelhamentos, enchentes e alagamentos. S\u00e3o essas comunidades, com menos acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos e recursos financeiros, que mais s\u00e3o impactadas pela emerg\u00eancia clim\u00e1tica, e tamb\u00e9m s\u00e3o as que t\u00eam menos capacidade de se recuperar e as que menos recebem pol\u00edticas p\u00fablicas \u2013 e isso tudo isso \u00e9 reflexo do racismo ambiental.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"900\" src=\"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Flavia-Ribeiro-Foto.I-zabela-Chagas-edited.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8429\" style=\"width:782px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Flavia-Ribeiro-Foto.I-zabela-Chagas-edited.jpg 900w, https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Flavia-Ribeiro-Foto.I-zabela-Chagas-edited-300x300.jpg 300w, https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Flavia-Ribeiro-Foto.I-zabela-Chagas-edited-150x150.jpg 150w, https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Flavia-Ribeiro-Foto.I-zabela-Chagas-edited-768x768.jpg 768w, https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Flavia-Ribeiro-Foto.I-zabela-Chagas-edited-500x500.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Flavia Ribeiro na Marcha das Mulheres Negras em Bel\u00e9m deste ano (Foto: Izabela Chagas)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Essas vozes enfrentam barreiras hist\u00f3ricas para ocupar espa\u00e7os de decis\u00e3o. Os obst\u00e1culos s\u00e3o os mesmos de sempre: o cruzamento perverso do racismo, do machismo e da LGBTfobia. \u201cEssas mulheres s\u00e3o representadas em menores n\u00fameros, e aquelas que conseguem ocupar esses espa\u00e7os sofrem viol\u00eancias cotidianamente\u201d, denuncia a jornalista . \u201cElas s\u00e3o lembradas de que aquele espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 para elas. \u00c9 uma estrutura racista e machista que n\u00e3o \u00e9 pensada para elas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O apagamento \u00e9 t\u00e3o profundo que, mesmo em documentos oficiais elaborados na regi\u00e3o, o maior grupo demogr\u00e1fico da Amaz\u00f4nia \u2013 as pessoas que se declaram negras \u2013 \u00e9 invisibilizado. \u201cSaiu o [documento da] Declara\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m e nele n\u00e3o \u00e9 citado em nenhum momento negro, negra, negritude, ra\u00e7a\u201d, exemplifica a pesquisadora. \u201cO maior grupo demogr\u00e1fico foi simplesmente n\u00e3o citado. E o poder de nomear \u00e9 importante, porque se a gente n\u00e3o nomeia, a gente n\u00e3o consegue fazer pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Declara\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m \u00e9 um documento escrito a partir da C\u00fapula da Amaz\u00f4nia que ocorreu em 2023. Nos seus mais de cem par\u00e1grafos, detalha os desafios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio. Temas como desenvolvimento sustent\u00e1vel, sa\u00fade, explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira e recursos minerais, ci\u00eancia e tecnologia e situa\u00e7\u00e3o social das fam\u00edlias que vivem na floresta, a prote\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas e prote\u00e7\u00e3o do bioma, sempre tendo em mente a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades e o combate \u00e0 fome.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cInd\u00edgenas foram citados quase 200 vezes. N\u00e3o \u00e9 uma cr\u00edtica aos povos ind\u00edgenas, eles precisam estar l\u00e1. Mas negros e negras n\u00e3o s\u00e3o citados. As negras e negras&nbsp;que est\u00e3o nas periferias das cidades n\u00e3o s\u00e3o citados\u201d, explica a pesquisadora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A cr\u00edtica central \u00e9 que a COP30 est\u00e1 sendo planejada por pessoas de fora da realidade amaz\u00f4nica. \u201cQuem vem planejar esse evento? S\u00e3o pessoas do sudeste, em sua maioria brancas, que est\u00e3o dizendo para a gente e para o mundo o que \u00e9 a Amaz\u00f4nia\u201d, afirma a jornalista. \u201cH\u00e1, nas entrelinhas do processo, um colonialismo interno que trata as vozes amaz\u00f4nidas como inferiores e silencia seus saberes\u201d, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o justamente esses grupos historicamente exclu\u00eddos que det\u00eam o conhecimento necess\u00e1rio para enfrentar a crise clim\u00e1tica. \u201cN\u00f3s conhecemos melhor os problemas que est\u00e3o acontecendo aqui e n\u00f3s temos a solu\u00e7\u00e3o\u201d, defende Ribeiro. \u201cA gente tem que ser ouvida desde o planejamento, n\u00e3o ser um grupo convidado para fazer uma foto. O Brasil e o mundo t\u00eam Amaz\u00f4nia, porque n\u00f3s, amaz\u00f4nidas, estamos aqui\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Edi\u00e7\u00e3o: Bruno Fonseca<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p><em>Foto de capa: Shirley Bar\u00e9<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-ab50441f3bea4704a75dc353c6254a2a\"><em>Fique por dentro das \u00faltimas not\u00edcias da ag\u00eancia Carta Amaz\u00f4nia.<\/em><strong><em>&nbsp;Participe do nosso&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.whatsapp.com\/channel\/0029Vajcelz8qIzmGGHSAR3L?fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAAad4zptZku8bM5RvuzeBp5bKxAsCx5uZxJVMMo9AiU6uH1-8OeuHZas9k_jRHA_aem_LQtSLHIyPsx2yDrrXsDD_w\">canal no WhatsApp&nbsp;<\/a><\/em><\/strong><em>e receba conte\u00fados exclusivos direto no seu celular.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ind\u00edgenas, quilombolas e perif\u00e9ricas apontam falta de lideran\u00e7as femininas e locais; COP s\u00f3 teve 5 presidentes mulheres Por Cec\u00edlia Amorim ___________ A COP30 est\u00e1 chegando. Bel\u00e9m tem se preparado para a Confer\u00eancia do Clima com obras que mudam a paisagem urbana e discursos que ecoam compromissos globais contra a crise clim\u00e1tica. O espa\u00e7o ser\u00e1 palco [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8427,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[29],"tags":[36,37,33,80,81,75,42,46,79,76,77],"class_list":["post-8426","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cop30","tag-amazonia","tag-belem","tag-cop30","tag-ecofeminismo","tag-mudancas-climaticas","tag-muheres","tag-onu","tag-povos-indigenas","tag-quilombolas","tag-umiab","tag-uniao-das-mulheres-indigenas-da-amazonia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8426","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8426"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8426\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8432,"href":"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8426\/revisions\/8432"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8427"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8426"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8426"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cartaamazonia.com.br\/carta-maps-cop30\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8426"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}