Em manifestos divulgados ao final do evento, APIB denunciou a exploração predatória dos territórios tradicionais e apoio à reeleição de Lula “diante de uma disputa direta entre o retorno de um projeto de morte e a continuidade de um campo democrático”.

Da Redação

A 22ª edição do Acampamento Terra Livre terminou neste sábado (11/4), em Brasília, com uma mensagem de condenação à exploração predatória dos territórios tradicionais. Durante uma semana, o evento movimentou mais de 7 mil pessoas na capital federal para reivindicar demarcação de terras, justiça climática e políticas públicas para as comunidades indigenas.

Para Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), o ATL 2026 cumpriu o dever de cobrar os Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) pela garantia dos direitos aos povos originários no país.

“O acampamento é um momento de cobrança para as instituições do Estado brasileiro. Durante toda a semana, inclusive nas marchas, a mensagem direcionada para o Congresso Nacional é de alerta para as principais ameaças que estão tramitando na Câmara e no Senado”, afirmou.

 Realizado desde 2004, o ATL é a maior mobilização indígena da América Latina. Neste ano, a assembleia reuniu representantes de mais de 200 povos do Brasil. Ao longo da programação, com plenárias e manifestações pelas ruas de Brasília, o movimento indigena denunciou o avanço da  agenda anti-indígena do Congresso Nacional, que ameaça os direitos territoriais e o modo de vida dos povos originários.

“Estamos diante de uma ofensiva articulada para desmontar direitos garantidos pela Constituição. O Congresso avança para transformar nossos territórios em mercadoria e impor um modelo que ignora nossa história, nossos direitos e o papel dos povos indígenas na proteção da vida e do clima”, ressatou Dinamam.

Mobilização denunciou o avanço da  agenda anti-indígena do Congresso Nacional. (Foto: Hellen Loures/Cimi)

Carta de encerramento e apoio a nova candidatura de Lula

No penúltimo dia da programação, a APIB divulgou a tradicional carta final do evento com o tema Territórios livres de exploração, venceremos! O documento pede a imediata demarcação das terras indígenas e exige que esses territórios sejam protegidos da exploração econômica predatória.

“Nossos territórios são a base da vida. É neles que estão nossas línguas e culturas, os nossos modos próprios de organização social e saberes. Os caminhos que sustentam o equilíbrio do planeta, começam nos territórios indígenas”, afirma a carta de encerramento da mobilização.

“Seguimos afirmando que a demarcação das Terras Indígenas é a base de qualquer resposta real à crise climática. Não existe transição justa construída sobre a destruição dos nossos territórios. Não existe política ambiental séria sem garantir nossos direitos. O que defendemos não é apenas para os povos indígenas. É para toda a humanidade”, destaca o documento.

Por meio de outro manifesto, denominado Nosso apoio demanda compromisso Carta aberta do ATL ao presidente Lula, a entidade organizada do ATL também deixou uma mensagem clara sobre as eleições de outubro deste ano. O documento oficializa o apoio do movimento indígena à reeleição de Lula “​diante de uma disputa direta entre o retorno de um projeto de morte e a continuidade de um campo democrático”. Mas, ressalva que esse apoio “não é cego”.

“Seguimos com autonomia para cobrar e pressionar politicamente os rumos das decisões que afetam nossas vidas”, diz o texto. “O que queremos está colocado com nitidez e precisa ser assumido como política de Estado. A demarcação de todas as Terras Indígenas deve ser tratada como base da soberania nacional, com garantia de proteção e desintrusão dos territórios. Esse caminho deve avançar junto com o fortalecimento das políticas indígenas, com estrutura, orçamento e governança permanente, assegurando a vida, a segurança e o bem viver nos territórios”, destaca a carta.

Sobre a APIB

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) é uma instância de referência nacional do movimento indígena, criada de baixo para cima. Ela reúne sete organizações regionais indígenas (Apoinme, ArpinSudeste, ArpinSul, Aty Guasu, Conselho Terena, Coiab e Comissão Guarani Yvyrupa) e foi criada para fortalecer a união dos povos indígenas, a articulação entre as diferentes regiões e organizações, além de mobilizar contra ameaças e agressões aos direitos indígenas.

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Foto de capa:  Hellen Loures/Cimi

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