Cúpula das espécies migratórias reúne mais de mais de 130 países em Campo Grande (MS) para decidir o futuro de animais que cruzam fronteiras. Brasil assume a presidência da convenção pelos próximos três anos.
Da Redação
Representantes de 133 países se reúnem em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, para discutir soluções de proteção global das espécies migratórias. A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS, nas siglas em inglês) iniciou nesta segunda-feira (24) e segue até o dia 29 deste mês.
Cerca de 2 mil pessoas – entre chefes de Estado, diplomatas, cientistas, profissionais do terceiro setor, lideranças indígenas e ativistas ambientais – participam do encontro.
Além de sediar a conferência, o Brasil também assume a presidência da organização pelos próximos três anos, e se compromete a liderar as negociações globais sobre a proteção de animais que cruzam fronteiras durante seus ciclos de vida.
Segundo os organizadores, a realização da COP15 no Mato Grosso do Sul, que abriga 75% do Pantanal, não é coincidência. O bioma, que enfrenta uma grave crise ambiental, com secas extremas e incêndios recordes, agravados pelas mudanças climáticas dos últimos anos, é considerado estratégica para a migração de espécies nas Américas.
Durante a abertura da convenção, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou o simbolismo do evento em território brasileiro, especialmente pela escolha do Pantanal como cenário central das discussões.
“Estar aqui, nesta região que abriga o Pantanal, é vivenciar uma terra de encontros. Onde rios se transformam, onde a natureza se entrelaça e onde diferentes formas de vida coexistem. Mas ao mesmo tempo, é uma oportunidade de alerta para frear o ritmo de degradação que esse bioma tem sofrido nos últimos anos”.
Segundo Marina, as mudanças no padrão das chuvas, no aumento da evaporação e a frequência com que incêndios acontecem são alguns dos fatores que agravaram a crise no bioma. “Essa combinação de precipitação insuficiente, evapotranspiração e incêndios pode levar ao desaparecimento do Pantanal até o final do século”, alertou a ministra.
Dados do MapBiomas mostram que Pantanal já perdeu 15% da sua superfície hídrica, fator que tem se intensificado nos últimos 30 anos.

Cooperação Internacional
A secretária-executiva da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), Amy Fraenkel, reforçou a necessidade de cooperação internacional para garantir a proteção das espécies e de seus habitats. “A proteção das espécies migratórias depende de sistemas eficazes de conservação. Precisamos identificar, proteger e, sobretudo, conectar habitats em escala internacional.”
Fraenkel também chamou a atenção para o avanço das pressões humanas sobre os ecossistemas, destacando os impactos diretos sobre a biodiversidade. “Quando os ecossistemas são fragmentados, as espécies ficam mais vulneráveis. A degradação dos habitats aumenta os riscos e compromete a sobrevivência dessas populações.”
Animais migratórios ajudam a manter o equilíbrio do clima
No evento, especialistas reforçaram que as espécies migratórias não são apenas afetadas pelas mudanças climáticas, elas também ajudam a combatê-las. O ambientalista e diretor do Instituto Conservação Brasil, Nondas Okiama, ressalta que garantir rotas seguras para esses animais é essencial para manter o equilíbrio ambiental. “Se a gente conseguir garantir que essas espécies consigam fazer essa rota de migração de forma segura, elas não contribuem somente para a saúde do Pantanal, mas também para a saúde do planeta como um todo”, afirma Okiama.
Espécies migratórias no Brasil
Muitas das espécies sob discussão na COP15 são animais conhecidos e presentes no Brasil. Os mais conhecidos são a onça-pintada, o morcego-de-cauda-livre-mexicano e o falcão-peregrino. Outras espécies também estão presentes em território brasileiro, como tubarões, arraias, parcela dos peixes de água doce, tartarugas, diversas famílias de espécies de pássaros, morcegos, baleias
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Foto de capa: Mairinco de Pauda / Semadesc
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