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Fonte Juventude: projeto destaca a participação de jovens na política e cidadania de Belém

Em parceria com a Énois, a Agência Carta Amazônia realizou escutas com grupos de jovens e adolescentes de Belém para conhecer suas formas de organização, reivindicações e participação na vida pública. A iniciativa resultará em uma série de três reportagens especiais sobre experiências dos grupos que autorizaram a divulgação das conversas.

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Fonte Juventude: projeto destaca a participação de jovens na política e cidadania de Belém

Integrantes do grupo Nós que voa, de Belém. (Foto: Eraldo Paulino/Carta Amazônia)

Grêmios estudantis, centros acadêmicos e partidos políticos seguem sendo espaços importantes de organização juvenil, assim como coletivos culturais e grupos comunitários que já mobilizavam jovens em décadas anteriores. Mas as formas de agrupamentos mudam  e se adaptam ao hoje. Influenciadores digitais, comunidades virtuais e movimentos que surgem em torno de fenômenos culturais globais, como o K-pop, também podem reunir juventudes, impulsionar debates públicos e mobilizar pessoas em torno de causas e disputas políticas.

Para conhecer essas experiências e compreender como as juventudes se organizam e participam da vida pública, a Agência Carta Amazônia, em parceria com a Énois, laboratório de jornalismo ,de São Paulo, realizou o Fonte Juventude. Entre 28 de setembro e 10 de outubro de 2026, a iniciativa promoveu escutas com grupos de diferentes realidades de Belém, buscando conhecer suas formas de organização, reivindicações e perspectivas sobre a sociedade.

A iniciativa parte de uma inquietação: será que os jovens de hoje se interessam menos por política ou será que estamos deixando de reconhecer as diferentes maneiras pelas quais participam da vida coletiva?

A política não se limita aos partidos, às instituições ou ao período eleitoral. Ela também está presente nas reivindicações por melhorias nos bairros, no acesso aos equipamentos públicos, na defesa de direitos e na criação de espaços de convivência e organização comunitária.

Grupos diversos, interesses e reivindicações coletivas

Entre os grupos ouvidos pelo Fonte Juventude estão o Nós que Voa, coletivo de ciclistas da periferia que se organiza em torno da bicicleta, da mobilidade e da ocupação dos espaços urbanos, e adolescentes da República do Pequeno Vendedor, iniciativa vinculada à República de Emaús, no bairro do Benguí, em Belém. O projeto também promoveu uma roda de conversa com estudantes do Ensino Fundamental da Escola Municipal Liceu Mestre Raimundo Cardoso, abordando suas percepções sobre política, eleições e participação juvenil.

A equipe também participou do Multiverso Geek, um dos maiores eventos da cultura geek de Belém, onde conversou com jovens que praticam cosplay e participam de concursos de dança K-pop. Outra experiência foi a escuta de grupos de RPG, que demonstraram capacidade de articulação e organização coletiva. Além de participarem de oficinas nas Usinas da Paz, equipamentos públicos que oferecem serviços e atividades culturais, esportivas e de cidadania nas periferias, esses jovens promovem suas próprias oficinas, criam espaços autônomos e ocupam equipamentos públicos para difundir a prática do RPG.

Jovens ue participam do evento Multiverso Geek. (Foto: Nikko)

A partir dessas escutas, a Carta Amazônia publicará uma série de três reportagens especiais, apresentando as experiências do Nós que Voa, do movimento K-pop de Belém e dos adolescentes da República do Pequeno Vendedor. Por questões relacionadas ao direito de imagem e em respeito às preferências dos participantes, as conversas com os demais grupos não serão divulgadas. Essas experiências, no entanto, contribuíram para ampliar a compreensão do projeto sobre as diferentes formas de organização e participação política das juventudes.

Participação política para além das urnas

A diversidade das experiências reforça a importância de não reduzir a participação política juvenil à filiação partidária ou à presença em organizações tradicionais, como grêmios estudantis e centros acadêmicos.

Esses espaços seguem relevantes, mas não são os únicos nos quais jovens e adolescentes constroem vínculos, desenvolvem formas de organização e reivindicam mudanças. A participação também pode surgir de atividades culturais, práticas esportivas, grupos de convivência e iniciativas comunitárias.

No campo eleitoral, mobilizações como a campanha #TiraOTítuloArmy, organizada por fãs do BTS em 2022 para incentivar adolescentes a tirar o título de eleitor, mostram como comunidades formadas em torno de interesses culturais podem atuar na promoção da participação democrática.

Ao mesmo tempo, a distância em relação às instituições políticas é um desafio real. A pesquisa Next Generation Brasil 2025, do British Council, investigou as percepções de jovens de 16 a 35 anos sobre participação, confiança e futuro. Os resultados ajudam a compreender a insatisfação de parte dessa população com os espaços institucionais e reforçam a necessidade de criar condições para que suas vozes sejam ouvidas.

A questão, portanto, não é apenas incentivar os jovens a participar, mas reconhecer as formas de participação que já existem e garantir que suas reivindicações tenham espaço nas decisões públicas.

Adultocentrismo: quem tem o direito de falar e decidir?

O Fonte Juventude também propõe uma reflexão sobre o adultocentrismo, uma lógica social que coloca os adultos no centro das decisões e tende a deslegitimar as opiniões, experiências e capacidades de crianças, adolescentes e jovens.

Essa perspectiva aparece quando as juventudes são tratadas como despreparadas para discutir política ou quando suas formas de organização são consideradas menos legítimas por não seguirem os modelos tradicionais de participação.

Ao escutar grupos com diferentes experiências e visões de mundo, o projeto busca reconhecer jovens e adolescentes como sujeitos de direitos, capazes de interpretar a realidade, formular reivindicações e participar da construção de soluções para os problemas que enfrentam.

Manifestação pró-Lula no segundo turno das eleições de 2026, em Belém. (Foto: Divulgação/DCE-UFPA)

A iniciativa também se desdobra em uma série de reportagens que apresentará algumas dessas experiências, aprofundando as histórias dos grupos, suas formas de organização e suas demandas. As rodas de conversa constituem um produto próprio do projeto, assim como as reportagens jornalísticas e os artigos de opinião elaborados pelos estudantes do Liceu Mestre Raimundo Cardoso.

Mais do que falar sobre as juventudes, a proposta é abrir espaço para que elas também participem da construção das narrativas sobre si mesmas e sobre os territórios onde vivem.

Jovens e adolescentes não são apenas o futuro da democracia. Eles já participam da vida pública, reivindicam direitos e constroem alternativas no presente. Reconhecer essa atuação é também questionar quem tem o direito de falar, decidir e transformar a sociedade.

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Conteúdo produzido com o apoio da Énois.

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