Projeto da Universidade Federal do Oeste do Pará, em Santarém, busca reduzir o extrativismo predatório, gerar renda e fortalecer comunidades ribeirinhas por meio do cultivo sustentável da planta unha-de-gato

Da Redação

Conhecida na medicina popular por seu efeito anti-inflamatório, a planta unha-de-gato apresenta sérios riscos de desaparecer do bioma amazônico. O alerta é de uma pesquisa da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), em Santarém, que tem avançado na construção de uma estratégia integrada de conservação e uso sustentável da espécie. Originário da floresta amazônica, o vegetal, de nome cientifico Uncaria tomentosa, vem sendo associado a riscos de erosão genética em função da exploração extrativista e da fragmentação ambiental, que pode resultar na extinção da planta.

Além do uso na medicina tradicional da Amazônia, a Uncaria tomentosa é uma planta de grande interesse do Sistema Único de Saúde (SUS) devido as suas propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e imunomoduladoras, relacionada ao funcionamento do sistema imunológico.

Para reverter esse cenário, os pesquisadores da UFOPA desenvolveram um banco de germoplasma, formado a partir da identificação, caracterização e preservação de células germinativas da espécie. O projeto também conta com técnicas de cultivo controlado da planta com a participação de comunidades tradicionais da região.

A pesquisa avança para a produção de cerca de mil mudas até 2026, em parceria com o Projeto Saúde e Alegria e agricultores familiares do Alto Tapajós. A proposta busca reduzir o extrativismo predatório, gerar renda e fortalecer comunidades ribeirinhas por meio do cultivo sustentável.

A unha-de-gato é uma planta conhecida por suas propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e imunomoduladoras, relacionada ao funcionamento do sistema imunológico. (Foto: Ascom UFOPA)

A iniciativa integra ações de pesquisa, extensão e inovação em saúde desenvolvidas no âmbito do projeto FarmaFittos e conta com a parceria da Prefeitura de Santarém e a Arquidiocese local em cooperação com a Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), responsável por parte do desenvolvimento científico associado à conservação genética da unha-de-gato.

Estudos científicos, como os conduzidos pela professora Dra. Ana Maria Soares (Unaerp), apontam que a variabilidade genética da planta se encontra distribuída de forma desigual entre populações naturais, muitas vezes isoladas, o que pode comprometer a capacidade adaptativa da espécie e sua sobrevivência a longo prazo. Esse cenário reforça a necessidade de estratégias que integrem conservação, cultivo e uso racional da planta, visando diminuir o processo de erosão genética.

Segundo o professor Dr. Wilson Sabino, do Instituto de Saúde Coletiva (Isco) da UFOPA e coordenador do Grupo de Extensão FarmaFittos, o objetivo da pesquisa não é apenas conservar a planta, mas criar condições para seu uso sustentável, evitando a pressão sobre populações naturais.

“O trabalho tem sido desenvolvido com foco na conservação da diversidade genética associada ao cultivo orientado, o que permite reduzir a coleta predatória e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso seguro à planta para uso medicinal”, afirma Sabino.

Além da unha-de-gato, outras espécies como erva-baleeira, chambá, erva-penicilina, folha-da-fortuna e açafrão também fazem parte do projeto. A iniciativa une ciência, saúde pública e saberes tradicionais para fortalecer a preservação da biodiversidade na Amazônia.

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Foto de capa:  Aritana Aguiar/ Ascom Arquidiocese de Santarém

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