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Encontro na Flona de Caxiuanã, no Pará, debateu o monitoramento e a conservação da biodiversidade

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Encontro na Flona de Caxiuanã, no Pará, debateu o monitoramento e a conservação da biodiversidade

Moradores da Floresta Nacional de Caxiuanã, no arquipélago do Marajó, se reuniram no último sábado, 02/03, na Estação Científica Ferreira Penna do Museu  Paraense Emílio Goeldi, na unidade de conservação, para discutir sobre a manutenção da biodiversidade local. O evento, chamado Encontro dos Saberes, é uma iniciativa do IPÊ- Instituto de Pesquisas Ecológicas em parceria com o  Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o apoio do Serviço Florestal dos Estados Unidos.

Esta é primeira vez que o encontro ocorre numa unidade de conservação do Marajó. A iniciativa é um espaço de diálogo entre pesquisadores, monitores da biodiversidade, gestores das unidades de conservação, comunidade local e instituições parceiras a respeito dos resultados do monitoramento participativo da biodiversidade realizado desde 2023 e a relação com as experiências de cada setor sobre a manutenção da biodiversidade local. 

“O Encontro dos Saberes é um ambiente de troca entre diferentes agentes sociais que atuam no monitoramento das unidades de conservação. A partir das informações adquiridas com essa troca, criamos um espaço de diálogo entre os conhecimentos científico e o tradicional para propor e encaminhar soluções sobre a melhor forma de proteção e conservação desses territórios”, afirma Débora Lehmann, coordenadora de projetos do IPÊ. 

Morador da Flona e monitor local há um ano, Gerald Nascimento, afirma que o projeto é uma oportunidade para a comunidade entender como funciona uma pesquisa científica. “Eu me sinto muito gratificado em fazer parte do monitoramento participativo e ajudar a construir as pesquisas sobre a biodiversidade no meu território. Além da etapa da pesquisa de campo, onde ocorreu o monitoramento da fauna e as plantas, esse momento de discussão sobre o projeto também é fundamental. É uma oportunidade para debater esses resultados com a comunidade e mostrar para eles a importância desse trabalho”. 

A avaliação de Gerald sobre o Encontro dos Saberes é compartilhada pela monitora local Yândala Lobato. Para ela, o evento ajuda a aproximar os moradores locais do conhecimento científico. “No monitoramento participativo o comunitário é o próprio pesquisador. É ele que vai para o campo e que faz a coleta dos dados usados nesse levantamento. Por isso, esse encontro é importante para aproximar a pesquisa científica dos comunitários, afinal, não é apenas o pesquisador do ICMBio que apresenta os resultados desse estudo, mas o monitor local também. E isso faz muita diferença para o entendimento da comunidade”. 

Monitoramento participativo

O evento, que reuniu cerca de 100 comunitários, marca a retomada das ações do projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade (MPB), finalizadas em 2022 após nove anos de atuação na Amazônia. Nessa nova etapa, o projeto que apoia a implementação do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Monitora), do ICMBio, concentra as atividades na Flona de Caxiuanã, que possui atividade de concessão florestal. “Um dos objetivos desse projeto é mensurar o impacto que essa ação gera sobre a biodiversidade local. Por este motivo são monitoradas áreas conservadas e também as áreas de manejo florestal, onde são realizados o  monitoramento de plantas, borboletas, aves e mamíferos, realizado por moradores do próprio território”, explica Débora Lehmann. 

Encontro reuniu pesquisadores, gestores de unidades de conservação (UC) e comunitários para discutir sobre o monitoramento participativo da biodiversidade na Flona de Caxiuanã (Foto: Harrison Lopes)

“O programa Monitora tem como objetivo fazer o monitoramento  da biodiversidade, mas com a participação da comunidade, aliando o olhar científico e o tradicional.  E o momento do Encontro dos Saberes é para discutir esses resultados e fazer com que a comunidade possar avaliar, dar um retorno e fazer os ajustes necessários junto com os pesquisadores”, destaca Sheyla Leão, analista ambiental do ICMBio. 

“A gente espera que o monitoramento participativo da biodiversidade possa nos dar respostas sobre o impacto na biodiversidade proveniente da atividade de exploração florestal do manejo na Floresta Nacional de Caxiuanã”, afirma José Humberto Chaves, coordenador de monitoramento e auditoria florestal, do Serviço Florestal Brasileiro (SFB). O órgão é responsável por fiscalizar os contratos concessão florestal em unidades de conservação. 

Para o agricultor Adalberto Brazão, que mora há quase 30 anos na unidade de conservação, o encontro foi uma oportunidade para a comunidade aprender ainda mais sobre o local onde vive. “Esse encontro é muito importante para a nossa comunidade, principalmente porque nos traz informações sobre a preservação da nossa biodiversidade e como lidar da melhor forma possível com a natureza e os animais. Além disso, é uma oportunidade de conhecer mais sobre o local onde a gente vive. Mesmo pra quem já vive aqui há muito tempo, sempre é possível aprender mais sobre o nosso território”. 

Criada em 1961, a Floresta Nacional de Caxiuanã possui uma área de 330 mil hectares. A unidade de conservação, que ocupa os territórios dos municípios de Portel e Melgaço, no arquipélago do Marajó, é a Flona mais antiga da Amazônia e possui alguns dos ecossistemas naturais mais representativos da região como floresta de terra firme, igapó e várzea. De acordo com o último levantamento do ICMBio, na UC vivem cerca de 118 famílias distribuídas em sete comunidades. 

Monitoramento de borboletas realizada na unidade de conservação (Foto: Acervo ICMBio)

Troca de Saberes

Desde o início da implementação do monitoramento participativo da biodiversidade na Amazônia, em 2013, o IPÊ já realizou 18 Encontros dos Saberes e dois seminários amplos envolvendo diversos parceiros da instituição como lideranças locais, gestores do ICMBio, monitores e pesquisadores. A iniciativa também possibilitou a capacitação para diversos comunitários dos territórios atendidos pelo MPB. Desde a sua implementação, mais de 4.000 pessoas se beneficiaram do projeto. 

O Encontro dos Saberes é uma realização do IPÊ em parceria com o ICMBio, Museu Paraense Emílio Goeldi, Benevides Madeiras, Serviço Florestal Brasileiro, Ibama e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com o apoio do Serviço Florestal dos Estados Unidos. 

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Foto de capa: Harrison Lopes

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