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Estiagem crítica no Amazonas afeta mais de 100 mil famílias e coloca 40 municípios em emergência

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Estiagem crítica no Amazonas afeta mais de 100 mil famílias e coloca 40 municípios em emergência

Além da estiagem, os órgãos ambientais também monitoram o aumento dos focos de queimadas no estado. Em Manaus, a poluição atinge níveis alarmantes provocado pelas queimadas. (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)

A severa seca de 2026 no Amazonas já impacta diretamente mais de 100 mil famílias em todo o estado. Um relatório divulgado pela Defesa Civil estadual indicou que 40 municípios decretaram situação de emergência, enquanto outros 17 estão em estado de alerta e cinco em atenção. Nenhum município do estado encontra-se em situação de normalidade.

Além da baixa drástica no nível dos rios, os órgãos ambientais monitoram intensamente o aumento dos focos de queimadas. Como medida preventiva, o governo estadual proibiu o uso do fogo por 120 dias em todo o território amazonense, autorizando apenas as exceções previstas por lei.

Em menos de uma semana, Manaus, liderou, por dois dias consecutivos o ranking da pior qualidade do ar entre as capitais brasileiras. De acordo com a plataforma internacional IQAir, a concentração de poluentes atingiu patamares considerados insalubres nos dias 16 e 17 de outubro. Sistemas locais de monitoramento ambiental também registraram variações preocupantes na atmosfera, com índices classificados de “muito ruins” a “péssimos” em diferentes regiões da cidade.

Diante da gravidade da poluição e visando proteger estudantes e profissionais, a prefeitura suspendeu as aulas presenciais da rede municipal de ensino nesta sexta. Da mesma forma, a Universidade do Estado do Amazonas paralisou as atividades acadêmicas presenciais em todas as suas unidades, tanto na capital quanto no interior, por três turnos, migrando parte do expediente administrativo para o modelo remoto.

Panorama das cidades atingidas

De acordo com a Defesa Civil, 101.084 famílias foram atingidas pelo desastre de estiagem até o momento no estado.

Emergência (40 municípios): Alvarães, Amaturá, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barreirinha, Benjamin Constant, Caapiranga, Carauari, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Eirunepé, Envira, Ipixuna, Itamarati, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Maraã, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tapauá, Tefé, Tonantins, Uarini e Urucurituba.

Alerta (17 municípios): Inclui Manaus, Barcelos, Humaitá, Tabatinga, São Gabriel da Cachoeira, entre outros.

Atenção (5 municípios): Anamã, Codajás, Iranduba, Itacoatiara e Itapiranga.

Força-tarefa e combate às queimadas

 Para conter a crise climática e os incêndios florestais, o Corpo de Bombeiros reforçou suas operações com cerca de 1,5 mil profissionais — entre bombeiros, brigadistas e agentes federais — mobilizados em 36 municípios e apoiados por cerca de uma centena de viaturas. Entre junho e meados de outubro, os bombeiros atenderam mais de 3,7 mil chamados de incêndio e combateram cerca de 23 mil focos de calor.

A estrutura de apoio federal também passará por ampliação. O efetivo de apoio receberá reforço das Forças Armadas, da Força Nacional e de mais de 150 brigadistas do programa Floresta em Pé. A frota aérea passará de 11 para 16 aeronaves, incluindo helicópteros e aviões especializados em combate a incêndios e transporte.

Mais de 100 mil famílias já foram afetadas pela estiagem de 2026 no Amazonas. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Ano de El Niño

Além da possibilidade de incêndios criminosos, 2026 também está sendo marcado pelo desenvolvimento de um El Niño muito forte, fenômeno que ocorre quando há o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. A previsão é que ele fique ainda mais intenso a partir de novembro.

Em anos de El Niño, as condições climáticas podem aumentar o risco de queimadas na Amazônia, mas a relação não é direta. O fenômeno pode alterar os padrões de chuva e temperatura e criar condições mais favoráveis ao fogo, mas só isso não basta para explicar a quantidade ou a localização dos focos deste ano.

Ane Alencar, diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), avalia que ainda é cedo para atribuir ao El Niño o aumento do fogo em relação a 2025. Ela avalia que o período seco começou mais tarde neste ano, o que pode ter deslocado a temporada de queimadas para os últimos meses de 2026. Nesse período, os efeitos do El Niño tendem a ser mais sentidos no norte do Amazonas, aumentando a preocupação com a combinação dos fatores. “É quando uma coisa vai encontrar a outra mesmo… esse é o meu medo maior”, afirma.

Assim, é esperado que outubro e novembro sejam mais intensos em relação aos meses anteriores. Os primeiros dados de outubro já estão nessa direção. Até o dia 13 de outubro, 778 focos de calor foram registrados a até 300 km de Manaus, 10,4% de todos os focos do bioma no período. Está atrás apenas de 2023, ano do El Niño anterior, quando foram 1.228 focos no mesmo intervalo. “Tem um risco muito grande, nesses próximos dois, três meses, de piorar se as chuvas não começarem”, disse Alencar.

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Conteúdo produzido com apoio da InfoAmazonia

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