Esta é a segunda vez que Belém aparece no segundo lugar das cidades com o aluguel mais caro do país. Levantamento realizado em julho de 2025 mostrou que a capital paraense já ocupava o ‘top 2 ‘desse ranking, mesmo antes da COP30
Por Adison Ferreira
A capital do Pará é a segunda cidade mais cara para se viver de aluguel no Brasil. A afirmação é do levantamento realizado pelo FipeZAP, o primeiro índice de preços de imóveis residenciais e comerciais no país, divulgado nesta quinta-feira (15).
De acordo com a pesquisa, para morar em Belém, é necessário desembolsar, em média, R$ 63,69/m² por mês. No caso de um imóvel de 50 metros quadrados, por exemplo, o valor médio de locação é de R$ 3.184,50.
Em comparação às outras cidades brasileiras, a capital paraense só perde para Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, que desde 2022 ocupa o topo desse ranking, com um valor médio de locação de R$ 3.517,50.
Aluguel alto antes, durante e depois da COP30
Essa não é a primeira vez que Belém aparece no segundo lugar das cidades com o aluguel mais caro do país. Em julho de 2025 o Índice FipeZAP mostrou que capital paraense já possuía os valores de aluguel mais pressionados, mesmo antes da realização da COP30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada em novembro de 2025.
Em dezembro de 2024 esse mesmo levantamento apontou que a cidade ocupava o 5º lugar no ranking das capitais brasileiras com os preços mais elevados de aluguel residencial.
Outro levantamento que comprova os altos preços de moradia em Belém é o do Índice de Preços ao Consumidor (INPC-IPCA) do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em junho do ano passado. A pesquisa afirma essa tendência ao colocar a capital como a que teve o maior aumento no preço dos aluguéis residenciais no primeiro semestre do ano, com uma alta de 5,95% – mais de dois pontos percentuais acima da média nacional.
Para a economista Paula Reis, do DataZAP, o alto preço do setor imobiliário na capital paraense não se trata de uma relação exclusiva à conferência do clima. “O índice usa anúncios de aluguéis de longa estadia, bem menos afetados pela realização de um grande evento internacional”, explica.

Média nacional subiu mais que o dobro da inflação em 2025
Segundo o Índice FipeZAP, os novos contratos de aluguéis residenciais ficaram, em média, 9,44% mais caros em 2025. O resultado ficou 4,06 pontos percentuais abaixo do registrado em 2024, quando o avanço foi de 13,50%.
Ainda assim, o aumento anual foi mais que o dobro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, que avançou 4,26% no ano. Nesse cenário, a alta real dos novos aluguéis, descontada a inflação, foi de 4,97%.
Segundo Paula Reis, o aumento acima da inflação está relacionado ao desempenho da economia brasileira — em especial ao mercado de trabalho, que segue forte. “A depreciação do valor real dos aluguéis, que ocorreu durante a pandemia, já foi compensada. Contudo, a vitalidade da economia e, em particular, o mercado de trabalho, mantiveram o poder aquisitivo da população, viabilizando a continuidade de reajustes superiores à inflação”, afirma a economista.
Índice FipeZAP
Criado em 2011 pela parceria entre a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e o portal ZAP Imóveis, o Índice FipeZAP mede a variação dos preços de imóveis anunciados em plataformas como Viva Real e OLX, cobrindo mais de 50 cidades, incluindo 22 capitais para imóveis residenciais e 10 cidades para comerciais. levantamento é atualizado mensalmente e serve como uma ferramenta importante para investidores, corretores e compradores para entender as tendências do mercado imobiliário e tomar decisões informadas.
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Foto de capa: Raphael Luz / Agência Pará
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