Projeto Fábrica de Soluções reúne comunidades, pesquisadores, especialistas de mercado e profissionais diversos para fortalecer iniciativas de bioeconomia. Proposta inicia com quatro cadeias produtivas da região amazônica
Da Redação
O IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, inaugura, nos dias 17 e 18 de março, na sede do entidade, em Nazaré Paulista, o projeto Fábrica de Soluções, A iniciativa visa criar arranjos de inovação, conectando organizações e comunidades com demandas concretas a especialistas, profissionais e pesquisadores e outras comunidades com experiência nas cadeias produtivas envolvidas, integrando ciência e inovação aos contextos territoriais. O primeiro ciclo do projeto inicia suas atividades com foco na Amazônia, atuando nas cadeias do cacau, mel de abelhas sem ferrão, babaçu e do pirarucu.
Nesta etapa inicial, o projeto conta com a parceria entre a Frente de Bioeconomia do IPÊ e o Fundo LIRA – Legado Integrado Amazônico, uma iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, com apoio de financiadores como a Fundação Gordon and Betty Moore.
Segundo os organizadores, a Fábrica de Soluções nasce para ajudar a conter o avanço de matrizes de desenvolvimento que exercem forte pressão sobre a sociobiodiversidade — como grandes monoculturas e economias ilegais na Amazônia. “Se faz urgente estruturar caminhos econômicos que mantenham as pessoas nos territórios, valorizem seus conhecimentos e tornem a floresta em pé uma escolha economicamente consistente. A floresta em pé precisa ser não apenas um ideal ambiental, mas uma alternativa econômica concreta e viável, capaz de sustentar vidas, territórios e futuros”, afirma Cláudio Padua, co-fundador do IPÊ e coordenador da Frente de Bioeconomia.
No encontro, estarão presentes representantes de organizações da Amazônia com iniciativas selecionadas para o primeiro ciclo do projeto, baseadas na produção e comercialização de cacau, babaçu, pirarucu e mel. O momento vai aprofundar as conversas sobre os desafios específicos de cada cadeia produtiva, afinar os planos de trabalho dos protótipos e formar coletivamente e oficialmente os chamados Comitês de Inovação – que irão acompanhar o desenvolvimento técnico, metodológico e estratégico das soluções ao longo de 2026.
O objetivo é, a partir de um ambiente institucional e metodológico, transformar desafios reais dos territórios em soluções concretas, com potencial de impacto e replicabilidade. “Buscamos assim, um modelo estruturado de co-inovação que conecta conhecimento técnico, pesquisa aplicada, saberes tradicionais e demandas das cadeias produtivas da floresta”, destaca Floriana Breyer, coordenadora do projeto Fábrica de Soluções e Co-líder da frente de Bioeconomia.
O coração da Fábrica de Soluções é a criação de arranjos de inovação compartilhada. “Esses arranjos partem das demandas concretas trazidas pelas organizações e comunidades e articulam especialistas nas temáticas relacionadas aos desafios identificados, profissionais com experiência nas cadeias produtivas envolvidas e pesquisadores capazes de integrar ciência e inovação aos contextos territoriais. É um movimento intencional de conexão entre os conhecimentos das comunidades tradicionais e especialistas técnicos, entre prática e investigação, entre território e inovação, sempre orientado pela agregação de valor e pelo fortalecimento da economia da floresta em pé”, ressalta Fabiana Prado, gerente do Fundo LIRA.
Estarão presentes no encontro membros das comunidades demandantes de solução, empresas que atuam nas cadeias produtivas envolvidas, o Núcleo gestor da Fábrica de Soluções/IPÊ, composto por Fabiana Prado, gerente do Fundo LIRA/IPÊ; Neluce Soares, coordenadora executiva do Fundo LIRA/IPÊ; Cláudio Padua, fundador do IPÊ e também coordenador da Frente de Bioeconomia; e Floriana Breyer, co-líder da Frente de Bioeconomia e coordenadora do Projeto Fábrica de Soluções, além de especialistas integrantes do Núcleo de Conhecimento da Fábrica de Soluções.
Confira a proposta na prática
Cada protótipo apoiado pelo Projeto Fábrica de Soluções contará com um Comitê de Inovação próprio, formado durante o encontro inaugural da iniciativa. Esses comitês terão a responsabilidade de acompanhar o desenvolvimento técnico, metodológico e estratégico das soluções ao longo de 2026. Para sustentar essa arquitetura de inovação, o projeto estruturou um Núcleo de Conhecimento composto por especialistas, pesquisadores e conhecedores tradicionais que atuarão de forma estratégica na escuta qualificada dos desafios e na coprodução de soluções técnicas e institucionais.
Na prática, a dinâmica será como a dos espaços colaborativos, onde representantes das organizações demandantes, especialistas do Núcleo de Conhecimento da Fábrica de Soluções e integrantes do grupo gestor trabalham de forma integrada, refinando caminhos e monitorando resultados.
O Núcleo de Conhecimento será mobilizado conforme as necessidades específicas de cada cadeia produtiva, garantindo aderência às realidades territoriais e consistência técnica às propostas desenvolvidas.
Conservação da biodiversidade brasileira
Há mais de 30 anos, o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas – atua na conservação da biodiversidade brasileira, construindo soluções baseadas em ciência aplicada, articulação territorial e fortalecimento comunitário. Há mais de 25 anos, atua na Amazônia. Ao longo dessa trajetória, o Instituto acumulou conhecimento sobre os desafios que atravessam os territórios da Amazônia e outros biomas: conservar a floresta exige não apenas proteção ambiental, mas o desenvolvimento de modelos econômicos capazes de oferecer alternativas reais, viáveis e competitivas para as populações que vivem nesses territórios.
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Foto de capa: Acervo / Associação Piagaçu
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