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Polícia Federal investiga onda de violência contra indígenas no MS após reeleição de Lula
Ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial mobilizaram força-tarefa para apurar denúncias de violência política contra indígenas Guarani e Kaiowá.
PF investiga casos de homícidio e envenenamento de água na região. (Foto: Christian Braga/Farpa/CIDH)
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A Polícia Federal (PF) foi acionada nesta quinta-feira (29) pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI) para apurar uma série de ataques e ameaças contra comunidades indígenas Guarani e Kaiowá no Mato Grosso do Sul, registrados após o resultado das eleições.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) classificou os relatos como “extremamente preocupantes”, destacando riscos à integridade física, discursos de ódio e atos severos de discriminação. As denúncias estão sendo centralizadas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e pela Associação Aty Guasu.
Entre as principais ocorrências relatadas pelas comunidades indígenas estão a ameaça de contaminação de água na cidade de Tacuru, onde um servidor municipal foi afastado após sugerir, via WhatsApp, o envenenamento da água consumida pela população da Aldeia Sassoró; um incêndio criminoso na casa de uma liderança espiritual na aldeia Jaguapiré; além de registros de homicídios e atropelamentos no município de Coronel Sapucaia.
Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ao menos cinco casos de assassinatos de indígenas na região desde sábado (24) estão sendo investigados.
O coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul, Matias Benno Rempel, disse que os casos de violência e intimidações contra os povos Guarani Kaiowá aumentaram drasticamente após os resultados das eleições.
“Antes do resultado do segundo turno os indígenas já vinham sofrendo ameaças e intimidações com caminhonetes que rodavam pelo território para tentar causar pânico na comunidade e evitar que eles fossem votar. Mas após o resultado das urnas, a onda de violência tomou uma proporção muito maior”, afirma.
Rempel reforça o pedido de apoio para os órgãos de segurança pública e disse que esses casos de violência que estão sendo chamado de violência pós-eleitoral é um componente permanente de milícias do campo, que há anos ameaça as comunidades Guarani Kaiowá.
Organizações cobram respostas imediatas
Organizações internacionais como a Anistia Internacional Brasil e o Greenpeace cobraram respostas imediatas dos órgãos públicos contra as violências sofridas pelos indigenas do Mato Grosso do Sul.
A violência também repercutiu no Congresso. A deputada federal Célia Xakriabá (Psol-MG) denunciou na Comissão de Direitos Humanos um incêndio criminoso no território do povo Tikm’n (Maxakali), em Minas Gerais, além de relatos de intimidação a indígenas na região de Avaí, no interior de São Paulo.
Em nota, o MPI informou que atua em conjunto com o Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas (Demed) e cobrou rigor da PF. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR) também integram uma força-tarefa para identificar os responsáveis por agressões contra povos indígenas, quilombolas e terreiros.
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Conteúdo produzido com apoio da Agência Brasil
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