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Mulheres Quilombolas do Baixo Amazonas lançam projeto inédito de comunicação popular para enfrentar impactos climáticos

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Mulheres Quilombolas do Baixo Amazonas lançam projeto inédito de comunicação popular para enfrentar impactos climáticos

Iniciativa pioneira no quilombo Boa Vista vai formar 20 comunicadoras e produzir documentário sobre o território

O quilombo Boa Vista, localizado em Oriximiná, na região oeste do Pará, primeira comunidade quilombola titulada coletivamente com base na Constituição de 1988, abriga uma iniciativa inédita protagonizada por mulheres quilombolas da região: a implantação de um projeto de formação em comunicação popular voltado para 20 moradoras do território.

Idealizada pelo coletivo Pretas Marias, com apoio da Coordenação Estadual das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará (MALUNGU) e financiamento do Fundo Casa Socioambiental, a iniciativa visa fortalecer as vozes femininas na denúncia dos impactos das mudanças climáticas e das violações territoriais promovidas por grandes empreendimentos, como a mineração.

Além de formar comunicadoras populares, o projeto propõe a criação de uma rede de comunicadoras quilombolas do Baixo Amazonas. A rede contará com estrutura técnica, equipamentos e suporte contínuo para garantir a produção de conteúdos com identidade quilombola, antirracista e ancestral.

Comunidade quilombola Boa Vista, no Baixo Amazonas (Foto: Karine Souza/ Coletivo Pretas Marias)

A formação que teve início em julho e segue até setembro, com atividades presenciais realizados no próprio quilombo Boa Vista, além de encontros virtuais. Os primeiros módulos abordaram temas como “Comunicação Popular” e “Comunicação Antirracista”, promovendo trocas intergeracionais, escutas coletivas e partilhas de vivências sobre os efeitos da crise climática, como a seca extrema que atinge a região amazônica.

A ação é coordenada por Carlene Printes, quilombola do Boa Vista e coordenadora da Pasta de Diversidade de Gênero da MALUNGU, em articulação direta com o coletivo Pretas Marias. Segundo ela, o projeto é muito mais que uma iniciativa de comunicação popular.  “O projeto é mais do que, somente, uma ação de comunicação, ele é um instrumento de emancipação e protagonismo para nós, mulheres quilombolas, que historicamente somos invisibilizadas, mesmo sabendo que somos nós que sustentamos nossos territórios”, afirma.

Carlene explica que a proposta é que cada participante se torne uma comunicadora popular em sua comunidade, contribuindo com narrativas próprias sobre os desafios e resistências dos povos quilombolas.

“Diante dos impactos das mudanças climáticas, como a estiagem de nossos rios e lagos, e consequentemente, a alteração dos nossos modos de vida, nos comunicarmos com autonomia, é um ato político de resistência e coragem. Através desse projeto, não queremos denunciar apenas as injustiças e ausência do estado, mas também fortalecer nossa identidade, a força da coletividade e principalmente, o protagonismo dessas mulheres na defesa de seus territórios”, ressalta a coordenadora.

Primeiros encontros on-line do projeto “Comunicadoras Populares” (Foto: Reprodução/Google Meet)

Protagonismo das mulheres quilombolas

O encerramento do projeto será marcado pelo lançamento de um documentário no dia 27 de setembro, no quilombo Boa Vista. Mais do que uma conclusão, a exibição representará o nascimento de uma rede de comunicadoras comprometidas com a justiça climática, a defesa dos territórios e a soberania comunicacional quilombola.

Esta é a primeira iniciativa do gênero no Baixo Amazonas, reforçando o protagonismo das mulheres quilombolas na defesa de seus modos de vida, identidades e memórias ancestrais.

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Com informações da MALUNGU e da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq)

Foto de capa: Karine Souza/ Coletivo Pretas Marias

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