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Lideranças indígenas denunciam surto de coqueluche no Território Yanomami

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Lideranças indígenas denunciam surto de coqueluche no Território Yanomami

Organizações Yanomami confirmam 16 casos da doença e cinco mortes. Todas as vítimas são crianças com menos de seis meses

Da Redação

Lideranças das organizações Hutukara Associação Yanomami (HAY) e Urihi denunciam o crescimento de casos de coqueluche entre crianças na Terra Indígena Yanomami, com concentração na região de Surucucu, em Roraima. Segundo as lideranças, até o momento, já foram diagnosticados 16 casos da doença, incluindo três mortes, no território. As vítimas são crianças com menos de seis meses.

A informação foi confirmada pelo Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Y), responsável pela saúde no território. Entre os casos identificados, quatro já receberam alta médica. Os demais pacientes, incluindo as pessoas que tiveram contato com as vítimas, seguem em tratamento e sob monitoramento das equipes de saúde.

A coqueluche é uma infecção respiratória grave, especialmente para bebês, e pode levar a complicações como pneumonia, insuficiência respiratória e morte. A vacinação segue sendo a principal forma de prevenção.

Para evitar o avanço da doença no território, o Ministério da Saúde montou uma força-tarefa de atendimento com vacinação e monitoramento em diversos polos-base da região. Segundo a pasta, as ações já alcançaram sete polos-base: Aratha-U, Haxiu, Maloca Paapiu, Parafuri, Parima e Surucucu.

Em nota divulgada à imprensa, o Ministério da Saúde informou que a estratégia adotada prioriza a interrupção da cadeia de transmissão, por meio de vigilância epidemiológica ativa, investigação e confirmação diagnóstica, coleta de material para análise clínica e intensificação da vacinação.

“Além disso, está sendo ofertado tratamento oportuno da quimioprofilaxia, esquema terapêutico utilizado para interromper a transmissão em pessoas que tiveram contato próximo com casos suspeitos ou confirmados, especialmente com menores de 1 ano e demais indivíduos de maior risco”, ressalta o documento.

Estado de alerta

O presidente da Urihi, Waihiri Hekurari cobrou mais agilidade do Ministério da Saúde para conter o avanço da doença e disse que as organizações indígenas permanecem em estado de alerta acompanhando a evolução dos casos.

Waihiri Hekurari, presidente da Urihi, e Dario Kopenawa, da  Hutukara Associação Yanomami (Urihi/Divulgação)

“Estamos acompanhando a situação e fizemos um ofício pedindo esclarecimentos sobre o que está acontecendo, além da apresentação de um plano de contingência e de bloqueio. A situação pode não estar ocorrendo apenas em Surucucu, mas em outras regiões do território Yanomami”, ressalta Hekurari.

“As crianças ainda nem abriram os olhos para saber o que é a floresta e já estão com a xawara coqueluche”, afirmou Dário Kopenawa Yanomami, presidente da Hutukara Associação Yanomami.

O povo Yanomami chama de xawara as epidemias que se espalham pelas comunidades, causando adoecimento e morte. A Terra Indígena Yanomami, a maior do país, enfrenta um surto de casos de coqueluche desde o início do ano.

O território está em emergência de saúde desde janeiro de 2023, quando o governo federal iniciou ações para atender os indígenas, como o envio de profissionais de saúde e de cestas básicas, além do reforço das forças de segurança na região para conter o garimpo ilegal na região.

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Foto de capa:  Urihi/Divulgação

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