Inspirada nas curvas dos rios amazônicos, marca unifica a comunicação dos nove estados da Amazônia Legal
Por Adison Ferreira
A Amazônia Legal conta agora com uma identidade visual unificada para potencializar o turismo e os negócios na região. O projeto, idealizado pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) e o Rotas Amazônicas Integradas (RAI), iniciativa que reúne representantes de turismo dos sete estados da região Norte, busca posicionar a Amazônia Brasileira como polo turístico e econômico internacional e padronizar a comunicação dos nove estados que compõem o território: Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins
A marca desenvolvida pela agência sudestina FutureBrand, de São Paulo, contou com a consultoria de artistas amazônicos. Entre os consultores estão ilustradores, fotógrafos e iniciativas culturais da região, além da produtora Marahu, responsável pelo filme de apresentação.
Segundo os criadores, o processo criativo foi pautado pela geografia local. Através de coordenadas reais e imagens de satélite, os designers mapearam as curvas dos 25 mil quilômetros de vias navegáveis da bacia amazônica para extrair as formas que compõem o alfabeto da marca. Esse conceito de “marca viva” permite que a identidade seja dinâmica e se adapte a diferentes contextos, demarcando a diversidade da fauna, da flora e da cultura dos povos da região.
Além da marca, o projeto também lançou o selo ‘Feito de Amazônia’, que poderá ser aplicado em produtos e produções locais, com o objetivo de reforçar a origem e ampliar o reconhecimento da região dentro e fora do Brasil.
Marca mistura elementos verdadeiros e idealizados da região.
O uso de elementos socioculturais da Amazônia como estratégia de marketing para a região não é algo novo. Para o pesquisador Otacílio Amaral, autor do livro “Marca Amazônia: o marketing da floresta”, resumir a região apenas ao imaginário apresentado na mídia, reduz a diversidade local e ajuda a reforçar ainda mais estereótipos sobre o território.
“Se você pesquisar o termo ‘Amazônia’ na área de imagens em algum buscador da internet, o resultado será áreas de floresta, rios, povos originários e animais. Tudo resumido num “só corpo”, sem muitas especificidades. Nós, amazônicos, sabemos que a região não é somente isto. É justamente por conhecermos a diversidade do território que sabemos que sua representação é muito mais diversa”, afirma o pesquisador.
Segundo Otacílio, a marca Amazônia é uma apropriação dos produtos da biodiversidade, da experiência cultural e da economia da região. “Essa marca é uma promessa publicitária que agrega um valor mercadológico e simbólico a qualquer produto que tenha origem neste território. O valor simbólico tem como garantia um imaginário povoado pela natureza representada pela floresta e seus produtos”
Para a publicitária e mestra em Ciências da Comunicação, Juliana Miranda, autora do artigo “Amazônia é uma marca engajada e valiosa: da floresta pra fora”, a construção simbólica, cultural e mercadológica da marca Amazônia, criada e reforçada pela grande mídia, não significa necessariamente a valorização da cultura local
“Enquanto lá fora a marca Amazônia movimenta mercados, ativa narrativas e gera lucros significativos, aqui dentro muitas vezes seguimos tendo um papel quase invisível nesse processo. Existe, sim, um reconhecimento simbólico da importância da Amazônia e de quem vive aqui, mas que nem sempre se traduz em valorização concreta, especialmente quando falamos sobre oportunidades, investimentos e distribuição de recursos”, destaca.
Juliana reforça que enquanto termos como carbono zero, neutralização, ESG e bioeconomia são amplamente utilizados na mídia para vender as mensagens de apoio à Amazônia, na vida prática, muitos desses discursos aparecem mais como estratégia de posicionamento do que como compromisso real com o território.
“É claro que existem avanços, iniciativas importantes e pessoas comprometidas. Mas, de forma geral, ainda é nítido como a lógica do mercado prioriza vender a imagem de uma Amazônia que encanta, que engaja e que gera valor comercial, em vez de assumir a responsabilidade de, de fato, construir caminhos que possam garantir uma floresta em pé, uma economia sustentável e uma sociedade mais justa para quem vive nela”.
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Conteúdo produzido com informações da jornalista Ana Serra, do portal Meio e Mensagem.
Foto de capa: FutureBrand/ Divulgação
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