Segundo o levantamento do Ministério da Defesa, um terço das pistas irregulares fica em Terras Indígenas e Unidades de Conservação.
Da Redação
A Amazônia concentra 2.837 pistas de pouso irregulares sem registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A informação foi divulgada através de um levantamento do Ministério da Defesa obtido pelo jornal O Globo via Lei de Acesso à Informação (LAI). Desse total, 814 estão localizadas em Terras Indígenas (TIs) e Unidades de Conservação (UCs),
Especialistas apontam que essas estruturas são usadas principalmente pelo garimpo ilegal e pelo narcotráfico.
Segundo o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), Mato Grosso (967 pistas), Pará (942) e Roraima (385) lideram o ranking de ocorrências na região,
Somente o município de Itaituba, no sudoeste do Pará, concentra 218 pistas clandestinas. Na Terra Indígena Munduruku, o levantamento identificou 22 aeródromos irregulares.
Pesquisadores destacam que o transporte aéreo é essencial para o escoamento do ouro ilegal e também favorece atividades do tráfico de drogas. A fiscalização enfrenta dificuldades devido à dimensão da Amazônia e à falta de radares capazes de detectar voos de baixa altitude.
Plano de Ação e Fiscalização voltado ao controle de pistas clandestinas
Em março deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) reiterou o pedido para que a Justiça determine, em caráter de urgência, a criação de um Plano de Ação e Fiscalização voltado ao controle de pistas de pouso clandestinas usadas em garimpos ilegais na Amazônia. Na ação, baseada num levantamento de 2025, o MPF destaca que foram identificadas mais de mil pistas de pouso clandestinas na região.
O pedido de urgência já havia sido apresentado em setembro do ano passado, quando o MPF ajuizou ação civil pública com o objetivo de identificar, interditar e inutilizar aeródromos e pistas de pouso clandestinas usadas pelo garimpo ilegal na Amazônia Legal. O órgão aponta falta de coordenação entre instituições federais e estaduais.
A ação tem como réus a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a União, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a Fundação do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Roraima (Femarh) e o Estado de Rondônia.
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Foto de capa: Chico Batata/Greenpeace
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