O Dia Mundial do Meio Ambiente também é uma oportunidade para falar sobre a importância da comunicação como instrumento de informação e educação ambiental, sobretudo, nesses tempos de crise climática e de tanta desinformação


Por Adison Ferreira

Instituído pela ONU em 1972, o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado neste 5 de junho, é uma data crucial para refletirmos sobre a importância da conscientização e ação global para a conservação dos recursos naturais do planeta Terra. Mas para que essa conscientização, de fato, ocorra é fundamental que a comunicação sobre o meio ambiente seja acessível e compreensível para todos.

Por isso, essa data também é uma oportunidade para falar do papel da comunicação como um instrumento essencial na agenda ambiental, sobretudo, nesses tempos de crise climática e de tanta desinformação e negacionismo científico.

Mas para que isso aconteça, a comunicação da pauta ambiental precisa desmistificar “jargões científicos”, criar pontes entre o conhecimentos tradicionais e a produção acadêmica, decodificar dados e pesquisas em informações de fácil entendimento, transformar “alertas de crise” em consciência ecológica e, consequentemente, em ação política, com impacto direto nas decisões tomadas pela preservação do planeta.

E isso é um exercício diário, não tem jeito. Afinal, comunicação é repetição, como ensinam os mantras da comunicação corporativa. Por isso, não canso de dizer que falar de meio ambiente não é falar somente de florestas. É falar de pessoas, de modos de vida tradicionais, de cultura, de saúde e de assuntos que interessam a todos nós, sem exceção. Seja para quem mora numa comunidade tradicional no arquipélago do Marajó, no Pará, ou numa metrópole na Oceania.

Utilizar a comunicação como meio de informação e formação sobre preservação ambiental é fundamental para que as pessoas se tornem mais conscientes sobre a sustentabilidade e a importância de construir um futuro mais limpo para as próximas gerações. E essa é uma das principais bandeiras da agência Carta Amazônia, iniciativa que tem como mote a agenda socioambiental, a justiça climática  e o protagonismo do modo de vida amazônico.

Parafraseando o filósofo Marshall McLuhan, é possível dizer que o meio ambiente é a mensagem. Isso significa que a comunicação ambiental não pode ser reduzida ao mero relato de problemas ecológicos. Ela é a própria tradução de um meio vivo que, ao ser alterado por nós, reconfigura de forma drástica o futuro da própria humanidade.

Quando cunhou a expressão “o meio é a mensagem” na década de 1960, McLuhan defendia que o canal ou a tecnologia que usamos para transmitir algo altera nossa percepção, nossos comportamentos e a estrutura social de forma muito mais profunda do que o conteúdo explícito da mensagem em si. E essa ideia é vista na prática em nossa relação com o meio ambiente.

 Se para ele, a TV ou a internet mudam a forma como o ser humano se organiza, o meio ambiente é o ecossistema que sustenta todas as mídias e interações humanas. Ou seja, o meio ambiente não é apenas um “cenário” ou um tema de reportagem; ele é a própria infraestrutura da vida. Quando a comunicação ambiental traz o ecossistema para o centro, ela mostra que a Terra é o meio definitivo. Sem as condições climáticas e biológicas estáveis, nenhuma outra mensagem ou estrutura social se sustenta. Afinal, não existe planeta B.

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Foto de capa: Bruno Kelly/Reuters

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