Programa prevê o apoio de até R$ 45 mil para organizações da região e bolsa-auxílio de R$ 3.300 mensais para jovens pesquisadores que desenvolvem estudos sobre adaptação climática nas cidades amazônicas. As chamadas estão abertas o dia 21 de junho.
Da Redação
O Programa NÓS – Ideias e Práticas na Amazônia Urbana, iniciativa do Laboratório da Cidade, publicou dois editais para consolidar conhecimento sobre Amazônia Urbana. A primeira chamada vai selecionar até quatro organizações da sociedade civil e coletivos da Amazônia Legal para desenvolver ações voltadas à adaptação climática nas cidades amazônicas, com apoio financeiro de até R$ 45 mil cada. A segunda vai financiar cinco jovens pesquisadores da região para desenvolver estudos sobre adaptação climática urbana, com bolsa-auxílio de R$ 3.300 mensais. As inscrições seguem até o dia 21 de junho.
A proposta, apoiada pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), busca fortalecer iniciativas, ampliar espaços de articulação e contribuir para a circulação de conhecimentos e experiências produzidas em contextos urbanos da Amazônia Legal. .Embora a floresta ocupe o imaginário, quando se fala sobre região amazônica, mais de 70% das pessoas da Amazônia Legal moram em cidades, de grandes metrópoles como Manaus e Belém a municípios médios que crescem rapidamente nas novas frentes econômicas.
Edital para organizações e coletivos
A chamada destinada à organizações e coletivos pretende fomentar iniciativas que atuem nos territórios e proponham soluções para desafios agravados pelas mudanças climáticas, com atenção especial aos alagamentos e ao calor extremo. Além do suporte financeiro, as organizações terão acesso a processos formativos, fortalecimento institucional e espaços de articulação em rede, ampliando o potencial de impacto e incidência em políticas públicas e ajudando a desenvolver melhores agendas e instrumentos de adaptação climática.
Segundo Júlia Dias, consultora de projetos do Lab da Cidade, o edital busca fortalecer projetos que promovam justiça socioambiental, valorização da sociobiodiversidade e integração entre cidade, bioma e sociedade. As iniciativas podem atuar em diferentes frentes, como infraestrutura verde, mobilidade urbana, habitação, saneamento básico, espaços públicos, cultura, memória e identidade amazônica, participação social, governança climática e tecnologias sociais voltadas à resiliência climática.
Serão aceitos diferentes formatos de projetos, incluindo iniciativas-piloto, campanhas de mobilização social, ações formativas, eventos culturais, atividades de incidência em políticas públicas, processos de documentação e produção de conteúdos audiovisuais. “Entendemos que falar de adaptação climática também é falar da vida cotidiana das cidades: da mobilidade, da habitação, da cultura, dos espaços públicos e das formas como as comunidades se organizam para enfrentar desafios coletivos. Por isso, buscamos propostas em diferentes formatos e áreas de atuação, valorizando o conhecimento construído nos territórios”, reforça Julia.
Edital para jovens pesquisadores
Para o edital destinado aos jovens pesquisadores, as propostas deverão estar alinhadas a um dos dois eixos temáticos centrais do programa: “Saúde Urbana e Mudanças Climáticas” ou “Biodiversidade como Infraestrutura Urbana”. Ao longo de nove meses, os pesquisadores selecionados irão desenvolver estudos que resultarão em artigos científicos e em um conjunto de recomendações e estratégias voltadas ao fortalecimento de políticas públicas e da adaptação climática nas cidades amazônicas. O material produzido será sistematizado e disponibilizado para a sociedade.
Além do apoio financeiro, os selecionados passarão a integrar uma rede colaborativa de pesquisa, participando de processos formativos, mentorias e espaços de articulação promovidos pelo Laboratório da Cidade ao longo do programa. A coordenação destaca a importância da participação de pesquisadores(as) que atuem em outras áreas do conhecimento além da Arquitetura e Urbanismo.
“A gente percebe que existe uma tendência a recebermos propostas, até pelo próprio perfil do Lab, de pesquisadores da arquitetura e do urbanismo, mas a gente gostaria que esse edital conseguisse extrapolar essa bolha e alcançar novas áreas, principalmente sobre o tema biodiversidade como infraestrutura” afirma Carolina Melo, consultora de desenvolvimento urbano do Lab da Cidade.
As pesquisas poderão abordar temas como: calor extremo e ilhas de calor, qualidade do ar, impactos das mudanças climáticas na saúde pública, alagamentos urbanos, arborização urbana, infraestrutura verde, soluções baseadas na natureza, gestão comunitária da biodiversidade e estratégias de resiliência frente a eventos climáticos extremos.
O programa incentiva propostas que dialoguem com políticas públicas de adaptação climática, sustentabilidade e desenvolvimento urbano, reconhecendo a Amazônia urbana como um território estratégico para a produção de conhecimento, metodologias e soluções voltadas aos desafios climáticos contemporâneos.
“Na temática de saúde urbana e mudanças climáticas, buscamos pesquisas que consigam articular propostas relacionadas à saúde, às políticas públicas e aos impactos das mudanças climáticas. No ano passado, já tivemos estudos com esse perfil e percebemos um enorme potencial para aprofundar esse debate e ampliar a produção de conhecimento sobre o tema”, destaca Carolina Melo.
Lab da Cidade
O Laboratório da Cidade, fundado em 2018 e sediado em Belém do Pará, é uma organização sem fins lucrativos que atua pela construção de cidades mais justas, resilientes e adaptadas às mudanças climáticas na Amazônia. Como um Think & Do Tank de inovação urbana, promove experimentação, produção e difusão de conhecimento e incidência em políticas públicas, sempre valorizando saberes locais e a participação comunitária. Seu trabalho articula urbanismo, políticas públicas, cultura e participação social para fortalecer a justiça climática, reduzir desigualdades e impulsionar redes de colaboração.
Serviço
Prazo das inscrições: até 21 de junho de 2026
Edital para organizações e coletivos
Apoio financeiro: até R$ 45 mil por projeto
Projetos selecionados: até 4 iniciativas
Público-alvo: organizações, associações, movimentos e coletivos urbanos da Amazônia Legal
Edital para jovens pesquisadores
Bolsa-auxílio: R$ 3.300 mensais durante 9 meses (total de R$ 29.700)
Número de bolsas: 5
Público-alvo: pesquisadores(as) de até 35 anos com título de mestrado, oriundos de estados da Amazônia Legal.
Link para inscrições e edital completo: Programa NÓS – Laboratório da Cidade
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Foto de capa: Acervo/ Lab da Cidade
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