Levantamento realizado pelo Observatório do Clima mostra que apenas um dos seis candidatos mais bem posicionados nas pesquisas apresenta propostas robustas para clima e meio ambiente.
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Da Redação
O programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva é o mais verde entre os candidatos que pontuam nas pesquisas de intenção de votos das eleições de 2026, mostra análise do Observatório do Clima (OC) divulgada nesta quinta-feira (10). A comparação incluiu os planos de Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. O OC considerou 28 itens da agenda socioambiental e identificou 16 compromissos positivos e detalhados no programa de Lula. O segundo colocado nas pesquisas, Flávio Bolsonaro, apresenta apenas um compromisso positivo, enquanto sete de suas propostas são claramente antiambientais.
A avaliação busca oferecer ao eleitor um retrato de como os presidenciáveis com mais de 1% nas pesquisas incorporam — ou deixam de incorporar — a agenda socioambiental em seus programas. O resultado mostra que a mudança climática – maior desafio da humanidade no terceiro milênio – e os temas ambientais estão fora do radar da maioria dos candidatos que pretendem governar o quinto maior emissor de gases de efeito estufa do planeta.
Para chegar aos resultados, organizações que integram a rede do Observatório do Clima destrincharam os planos de governo apresentados à Justiça Eleitoral. Como papel aceita tudo, as propostas foram avaliadas também à luz da atuação política pregressa de cada candidato.
Acesse o documento completo aqui.
A avaliação partiu de oito grandes eixos: mudanças climáticas, energia, desmatamento, proteção de povos e comunidades tradicionais, agronegócio sustentável, mineração e infraestrutura, governança ambiental e climática, oceano e zona costeira.
“A análise, realizada pela Força Tarefa de eleições do Observatório do Clima, mostra que os temas referentes a clima e meio ambiente de forma mais ampla têm uma atenção muito aquém do necessário. A exceção é o plano de governo do atual Presidente, no qual o ponto de preocupação fica apenas na área de energia, o que era até esperado. Os planos dos demais candidatos são todos muito mais fracos em relação à agenda ambiental, alguns absolutamente inaceitáveis”, diz Suely Araujo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima.
Sobre as mudanças do clima, apenas o plano de Lula cita o cumprimento da meta climática brasileira (NDC) e o Acordo de Paris. A adaptação climática aparece como destaque no documento, com detalhamento de ações e prazos. Também há compromissos com o fortalecimento da fiscalização ambiental e agricultura sustentável, que se relacionam direta ou indiretamente com a ação climática.
Confira abaixo a tabela síntese da análise em relação aos 28 temas destacados pela rede do Observatório do Clima.

O plano de Flávio Bolsonaro sequer reconhece a existência de uma crise do clima, o que está alinhado ao seu recorrente posicionamento negacionista. Em maio de 2024, Flávio disse ser uma “armadilha” atribuir as enchentes no Rio Grande do Sul às mudanças climáticas. No fim de agosto passado, durante sabatina no Jornal Nacional, o candidato do PL voltou a repetir sua posição negacionista.
Já o plano de Augusto Cury, apesar de reconhecer as mudanças climáticas, não apresenta uma política estruturada para enfrentá-las e não menciona a NDC brasileira, metas de redução de emissões, neutralidade climática, justiça climática ou racismo ambiental.
O programa de Renan Santos tampouco traz políticas específicas para a crise climática e sequer menciona a agenda de clima. Também ficaram de fora a meta climática brasileira, o Acordo de Paris, a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) ou o Plano Clima.
Ronaldo Caiado, por sua vez, reconhece que as mudanças climáticas provocam eventos extremos e perdas agrícolas e propõe medidas de adaptação e prevenção de desastres. O plano, porém, não contém propostas de redução de emissões nem menciona a NDC brasileira, o Acordo de Paris, justiça climática, racismo ambiental, o Plano Clima ou os mapas do caminho.
Quanto a Romeu Zema, apesar de reconhecer que o país é afetado por eventos extremos, não deixa claro quais serão os meios de implementação de ações de monitoramento e resposta a desastres. Em seu governo em Minas Gerais, Zema reduziu em 96% as verbas destinadas à prevenção de impactos das chuvas entre 2023 e 2025.
“Desde a última eleição, a agenda de clima ficou mais evidente no país, principalmente depois das cheias no Rio Grande do Sul e da seca na Amazônia. Eventos como estes, que afetaram a vida de milhares de brasileiros, infelizmente tendem a se repetir. Assim, é lamentável ver como alguns candidatos simplesmente ignoram o assunto em seus planos de governo ou, pior, chegam até mesmo a negar a existência das mudanças climáticas”, diz Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima.
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Conteúdo publicado originalmente no site Observatório do Clima
Foto de capa: Reprodução/Agência Brasil
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