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Seca na Amazônia deve deixar meio milhão de pessoas sem água e comida

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Seca na Amazônia deve deixar meio milhão de pessoas sem água e comida

Os governos federal e do Amazonas anunciaram uma força-tarefa para enfrentar a seca na Amazônia, que deixou os rios em níveis baixíssimos e já afeta mais de 110 mil pessoas. Em uma reunião em Brasília na última terça-feira (26/9), ficou acertado o envio emergencial de cestas básicas e água, a intensificação das operações de combate a incêndios, bem como apoio logístico, acesso a programas sociais federais e liberação de emendas parlamentares.

Além da ajuda humanitária, o governo federal vai destinar R$ 141 milhões para obras de dragagem em rios atingidos pela estiagem no Amazonas e também em Rondônia, relata o g1. Serão feitas duas dragagens emergenciais nos rios Solimões, Amazonas e Madeira.

O volume de chuvas na Região Norte está abaixo da média histórica, afirma uma nota conjunta deste mês do INPE, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). E no Amazonas, dos 62 municípios do estado, 59 enfrentam a estiagem, e 15 estão em situação de emergência, informa O Globo.

Os efeitos já são visíveis em grandes rios, como o Negro, Solimões, Purus, Juruá e Madeira. O nível do rio Negro – um dos maiores afluentes do Rio Amazonas – vem descendo 20 cm por dia, segundo o Serviço Geológico do Brasil. É uma taxa duas vezes superior à do ano passado, embora menor do que a das grandes secas amazônicas de 2005 e 2010, informa O Globo.

Segundo o ClimaInfo, a forte a seca no Amazonas tem origem no fenômeno El Niño (Foto: Defesa Civil do Amazonas)

Morador de Nazaré, um distrito ribeirinho de Porto Velho (RO), Iremar Antonio Ferreira deixou o Paraná aos 16 anos, onde viu “a soja matar o Rio Azul”, como definiu a situação vivida pelo afluente do rio Piquiti. Hoje, teme testemunhar processo semelhante no rio Madeira, relata O Globo. Coordenador do Instituto Madeira Vivo, Ferreira reforça que a atual seca é agravada por desmatamento, expansão agrícola e garimpos ilegais, que derrubam as matas ciliares e assoreiam os leitos dos rios.

“Já tivemos outras secas, mas essa está sendo a pior de todas. Estão aparecendo bancos de pedra que eu nunca tinha visto. Os próprios pilotos estão comentando. Nunca vimos o rio Madeira tão baixo; os barcos maiores estão tendo muita dificuldade, porque há trechos com profundidade abaixo de 1,5 m, então precisam levar menos carga e menos gente, um impacto muito grande.”

O governador Wilson Lima, do Amazonas, acredita que o número de atingidos pela estiagem no estado deve aumentar muito até outubro, chegando a 500 mil pessoas, informa a CNN. Além disso, ele acredita que a seca de 2024 na região amazônica pode ser ainda mais severa do que a atual. Isso porque, por conta do baixo nível dos rios agora, antes do período em que a estiagem habitualmente ocorre, o próximo período chuvoso pode não ser suficiente para encher os rios, explicou à CNN.

Previsão de seca mais prolongada

De acordo com o Instituto ClimaInfo, a forte seca que se abate sobre a Amazônia tem origem no fenômeno El Niño, que é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do oceano Pacífico. Segundo a NOAAA dos EUA, o El Niño deste ano pode levar as temperaturas do Pacífico a “excederem substancialmente” as registradas durante o último evento mais forte, que ocorreu no início de 2016, e persistir até pelo menos fevereiro de 2024. O El Niño tem sido intensificado pelo aquecimento global, que já elevou a temperatura média dos oceanos de todo o mundo entre 1oC e 1,3ªC.

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Com informações do Instituto ClimaInfo

Foto: Defesa Civil do Amazonas

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