Desmatamento na região teve queda recorde de 61,4% em maio de 2026. É a maior redução percentual de desmatamento já registrada desde o início da série histórica do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real.

Da Redação

A Amazônia Legal registrou, em maio deste ano, a maior redução percentual de desmatamento já observada na série histórica do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), iniciada em 2004. De acordo com o monitoramento, a área com supressão de vegetação caiu 61,4% em comparação com o mesmo mês de 2025, passando de 960 quilômetros quadrados para 370 quilômetros quadrados.

As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (11/06), durante visita do presidente Lula ao Observatório Regional Amazônico (ORA), da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília.

Produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os dados do Deter são utilizados para direcionar operações de fiscalização e combate ao desmatamento realizadas por órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, o resultado tem relevância histórica porque o mês de maio costuma marcar o início da estação seca na Amazônia. Nesse período, tradicionalmente há aumento dos índices de desmatamento.

“Nós monitoramos isso dia a dia com uma certa aflição. Com o Ibama indo a campo fazendo os embargos remotos, o ICMBio indo a campo impedindo o desmatamento em unidades de conservação federais e também agindo em terras indígenas e assentamentos, conseguimos esse feito fundamental”, disse.

Capobianco destacou ainda que a taxa oficial anual de desmatamento é calculada pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), cuja medição considera o período entre agosto de um ano e julho do ano seguinte. A expectativa do governo é que o levantamento a ser consolidado em 31 de julho apresente o menor índice de desmatamento já registrado na Amazônia.

No acumulado entre agosto de 2025 e maio de 2026, a área desmatada somou 2.189 quilômetros quadrados, o que representa uma redução de 37,5% em relação ao período de agosto de 2024 a maio de 2025. O resultado também é apontado como o menor da série histórica para o intervalo analisado.

Acusação dos EUA

A persistência do desmatamento ilegal no Brasil é uma das alegações dos Estados Unidos para a imposição de tarifas adicionais a produtos brasileiros importados no país. No início deste mês, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu uma taxação punitiva de 25% diante de práticas brasileiras “irrazoáveis” e que “oneram ou restringem” o comércio estadunidense.

Na avaliação do USTR, mesmo o Brasil tendo um marco legal para combater desmatamentos ilegais, o país tem um histórico de falhas na sua aplicação eficaz.

O ministro João Paulo Capobianco ressaltou que os dados mostram o contrário. “O Brasil está agindo objetivamente e obtendo resultados comprovados pela pesquisa, pelos estudos científicos, de que a Amazônia está numa nova situação com controle ambiental, com resultados realmente muito positivos”, disse.

João Paulo Capobianco, titular do Ministério do Meio Ambiente.  (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
 

O presidente Lula reforçou que os Estados Unidos estão equivocados quando questionam as ações do Brasil contra o desmatamento. “Eles não sabem o trabalho que nós fazemos para fazer com que o desmatamento chegue a zero até 2030”, disse Lula sobre as metas brasileiras na área do meio ambiente e mudanças climáticas.

“Isso é uma decisão do nosso governo, é por uma questão de justiça e de participação do Brasil para ajudar o planeta Terra, cumprir com a nossa obrigação de tentar evitar o desmatamento o máximo possível e provando que o não-desmatamento é mais lucrativo do que o desmatamento”, acrescentou.

O ministro também classificou como inverdade a alegação de que o Brasil estaria exportando madeira de origem ilegal. “Toda a madeira exportada pelo Brasil é monitorada. Existe toda cadeia de custódia, com código de barras detalhado, tudo que é extraído no manejo florestal na Amazônia é devidamente acompanhado”, acrescentou.


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Foto de capa: Mauro Pimentel/AFP

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