modoDeVidaAmazonico

“Diálogos Amazônicos” destaca o protagonismo das mulheres no debate socioambiental

Compartilhar WhatsApp X Facebook
“Diálogos Amazônicos” destaca o protagonismo das mulheres no debate socioambiental

O protagonismo da mulher na Amazônia marcou os três dias dos “Diálogos Amazônicos”, evento da sociedade civil que discute novas estratégias para a região. O encontro, realizado nos dias 4, 5 e 6 de agosto, no Hangar Centro de Convenções, em Belém/PA, debateu o protagonismo feminino na agenda climática e na conservação da floresta.

A programação foi inaugurada, no dia 04/08, com um painel chamado “Mulheres da Panamazônia – Direitos, Corpos e Territórios por Justiça Socioambiental e Climática”. A atividade reuniu diversas ativistas brasileiras e estrangeiras, indígenas e representantes do governo como a ministra Cida Gonçalves, do Ministério das Mulheres.

Na manhã do dia 05/08 ocorreu uma plenária com o tema “Mulheres pelo bem viver, a justiça climática e combate à desigualdade”. A programação contou a participação das ministras de Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva; da Igualdade Racial, Anielle Franco; e das Mulheres, Cida Gonçalves; e com a presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joênia Wapichana.

Racismo Ambiental

Anielle Franco ressaltou que a discussão é uma oportunidade para debater temas urgentes como o racismo ambiental, processo que evidencia os impactos de grandes projetos e empreendimentos sobre os modos de vida de povos e comunidades tradicionais.

A expressão Racismo Ambiental foi usada pela primeira vez em 1981, pelo químico e lider de movimento negro, Benjamin Franklin Chavis, nos Estados Unidos. O conceito surgiu a partir de pesquisas e investigações que apontaram que os depósitos de resíduos tóxicos se concentravam em áreas habitadas pela população negra norte-americana.

Na definição original, traduzida para o português, racismo ambiental é a discriminação racial na elaboração de políticas ambientais, aplicação de regulamentos e leis, direcionamento deliberado de comunidades negras para instalações de resíduos tóxicos, sanção oficial da presença de venenos e poluentes com risco de vida à comunidades e exclusão de pessoas negras da liderança dos movimentos ecológicos.

“Os problemas da mudança do clima afetam de forma diferente e com mais intensidade os mais pobres, o povo preto, os povos indígenas, as pessoas que forma vulnerabilizadas”, ressaltou a ministra do Meio Ambiente. Marina defende uma perspectiva de desenvolvimento com base no conceito andino de bem viver.

Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudanças do Clima (Foto: Audiovisual/PR)

Joênia Wapichana destacou a importância da participação dos indígenas nos debates de conservação ambiental e mudanças climáticas. “Quando nós falamos de direito coletivo, envolve mulheres, jovens, crianças, idosos. É um ponto de ligação constitucional da Funai que é justamente voltar a lutar pela demarcação das terras indígenas. O governo Lula agora, com seis meses, a Funai já retoma principalmente esse direito central que é a demarcação das terras. É a nossa demanda prioritária”, afirmou a presidente da Funai.

Cida Gonçalves apontou que o Ministério das Mulheres trabalha junto ao dos Povos Indígenas em um programa chamado Mulheres Guardiãs. “Nós estamos discutindo a questão da Casa da Mulher Brasileira para atender também as mulheres indígenas vítimas de violência. Aqui, no Pará, já vamos inaugurar uma em Ananindeua. Temos um terreno aqui em Belém, e vamos ter em Marabá, Santarém… e depois fazer a divisão dos territórios onde elas serão instaladas”, afirmou.

Para a lider quilombola Marta Leite Dias, do municipio de Baião, nordeste paraense, a participação de mulheres de comunidades tradicionais da Amazônia é fundamental nesses espaços. “É muito importante que nós, mulheres de comunidades floresta, que vivem os impactos das mudanças climáticas de forma mais intensa, estejamos nesses espaços, debatendo e engajando a nossa luta para dizer que somos contra a devastação da Amazônia”.

Marta Leite Dias (Foto: Cecilia Amorim/Carta Amazônia)

Além plenárias oficiais, durante todo o evento também foram realizadas programações auto-organizadas em espaços menores com debates abertos ao público, incluindo a discussão de pautas prioritárias paras as mulheres da Amazônia.

___________________

Foto de capa: Audiovisual/PR

Compartilhar WhatsApp X Facebook

Mais notícias em modoDeVidaAmazonico

modoDeVidaAmazonico OUT 6, 2026 Círio 2026: Confira o mapa dos roteiros do maior evento de fé do Brasil Círio 2026: Confira o mapa dos roteiros do maior evento de fé do Brasil meioAmbiente OUT 1, 2026  Avanço da seca já atinge 303 Terras Indígenas da Amazônia  Avanço da seca já atinge 303 Terras Indígenas da Amazônia meioAmbiente SET 26, 2026 Quem é e o que defende Vanuza Cardoso, única candidata quilombola à Assembleia Legislativa do Pará Quem é e o que defende Vanuza Cardoso, única candidata quilombola à Assembleia Legislativa do Pará modoDeVidaAmazonico SET 25, 2026 Carta Amazônia participa de encontro nacional sobre jornalismo nos territórios Carta Amazônia participa de encontro nacional sobre jornalismo nos territórios

Receba as notícias da Amazônia

Assine nossa newsletter e receba as principais reportagens no seu e-mail.