Iniciativa da ONG Habitat para a Humanidade Brasil reúne moradores da Terra Firme para elaborar e implementar um plano comunitário de adaptação climática, com investimento de cerca de R$350 mil
Da Redação
Moradores do bairro da Terra Firme, em Belém, estão elaborando um plano comunitário para enfrentar os impactos das mudanças climáticas em um dos territórios mais vulneráveis da capital paraense. Desenvolvido pela ONG Habitat para a Humanidade Brasil, o projeto Comunidades Resilientes reúne cerca de 30 moradores em um grupo de governança que participa de oficinas para mapear riscos climáticos, definir soluções prioritárias e implementar ações voltadas à redução dos impactos de enchentes, alagamentos e outros eventos extremos.
A iniciativa, que responde a um cenário nacional em que a crise climática e o déficit habitacional se reforçam mutuamente, começou em junho de 2026 e segue até fevereiro de 2027, com investimento de aproximadamente R$350 mil, financiado pelo fundo Home Equals, da Habitat for Humanity International.
Segundo estudo publicado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2026, aponta que 75% dos municípios brasileiros prioritários em gestão de risco têm menos da metade dos planos de prevenção obrigatórios, e 91% não possuem planos de obras para conter desastres, agravando a vulnerabilidade frente aos eventos climáticos extremos.

A Terra Firme é uma das comunidades periféricas mais populosas de Belém, com mais de 60 mil habitantes, e enfrenta historicamente problemas relacionados à drenagem urbana, enchentes e alagamentos provocados por chuvas intensas e pela influência das marés. Nesse contexto, o projeto aposta na participação ativa dos moradores para identificar os principais desafios do território e construir soluções adequadas à realidade local.
Ao final do processo participativo, serão priorizadas de três a cinco ações de adaptação climática, que serão executadas pelo grupo de governança em conjunto com outros moradores e organizações da comunidade. O trabalho em Belém conta com o apoio do Coletivo Lutar Sempre, do Movimento Tucunduba Pró Lago Verde e das Tamuatãs do Tucunduba, organizações que atuam na defesa do território e na proteção do rio Tucunduba.
“A ideia é que a comunidade possa, através da vivência no próprio território, mapear riscos, identificar a frequência e impacto dos desastres, elencar as soluções e montar um plano de ação para adaptação climática no bairro. Com o plano elaborado, o grupo é convidado a priorizar as ações mais urgentes e traçar estratégias para a implementação, com o aporte de recurso por parte do projeto Comunidades Resilientes”, conta Melina Motta, coordenadora de Projetos Especiais e Inovação da ONG Habitat para a Humanidade Brasil.

Comunidades Resilientes
O Comunidades Resilientes é uma iniciativa da Habitat para a Humanidade Brasil que busca fortalecer a capacidade de comunidades vulnerabilizadas de se preparar e responder aos impactos das mudanças climáticas. A iniciativa adota a Adaptação Baseada na Comunidade, abordagem que parte da premissa de que as pessoas que vivem nos territórios são protagonistas na identificação dos riscos e na construção de respostas para enfrentá-los. Em vez de propor soluções de forma centralizada, a metodologia valoriza os conhecimentos, experiências e capacidades locais, articulando-os ao conhecimento técnico para desenvolver estratégias de adaptação adequadas à realidade de cada comunidade. Por meio de processos participativos, oficinas, mapeamento de riscos e construção coletiva de planos de adaptação, o projeto busca fortalecer a organização comunitária, a gestão de riscos e a capacidade dos territórios de se proteger, permanecer e se adaptar diante dos eventos climáticos extremos.
Habitat para a Humanidade Brasil
Habitat para a Humanidade Brasil é uma organização da sociedade civil que, há mais de 30 anos, atua para combater as desigualdades e garantir que pessoas em condições de pobreza tenham um lugar digno para viver. Presente em mais de 70 países, a organização promove a incidência em políticas públicas pelo direito à cidade e soluções de acesso à moradia, à água e ao saneamento, em articulação com diversos setores e comunidades.
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Foto de capa: Pedro Ladeira/Folhapress
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